O encerramento do primeiro trimestre regulamentar da safra de cana-de-açúcar 2026/27 consolidou uma trajetória de desvalorização para os biocombustíveis no mercado físico de São Paulo, principal estado produtor e consumidor do país. Os preços médios do etanol hidratado e do anidro operaram em queda ao longo do período. Segundo dados consolidados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), o aumento expressivo na oferta global do combustível — impulsionado tanto pelo avanço da moagem de cana quanto pelo forte ritmo de produção das usinas de etanol de milho — funcionou como o principal vetor de pressão sobre as tabelas das usinas.
No balanço que compreendeu os meses de abril, maio e junho de 2026, o etanol hidratado registrou o preço médio de R$ 2,3510 por litro nas usinas paulistas. O valor representa uma retração real expressiva de 13,1% (com dados deflacionados pelo IGP-M de junho/26) na comparação com a média observada no mesmo intervalo do ciclo anterior. No segmento do etanol anidro (misturado à gasolina), considerando exclusivamente as operações realizadas no mercado spot, o recuo real foi de 12,4%, estabelecendo uma média trimestral de R$ 2,6868 por litro.
Paralisações por chuvas e cautela das distribuidoras marcam o mês de junho
A dinâmica de comercialização no mês de junho apresentou traços de volatilidade devido a fatores climáticos e operacionais. Pesquisadores do Cepea apontam que diversas usinas paulistas enfrentaram dificuldades para manter o fluxo contínuo das atividades industriais e da colheita em decorrência de episódios frequentes de chuva, que forçaram paralisações pontuais ao longo das semanas. Esse cenário de interrupção logística chegou a sustentar repiques de alta nos preços pedidos pelos produtores em momentos específicos do mês.
Em contrapartida, o fechamento de junho também revelou unidades produtoras com liquidez bastante limitada e necessidade de caixa, o que as obrigou a aceitar ofertas de compra em patamares financeiros inferiores para desovar estoques. Do lado da demanda, as distribuidoras mantiveram uma postura estritamente cautelosa. Os compradores das companhias de petróleo priorizaram a aquisição de volumes fracionados no mercado diário, uma vez que os lotes mais robustos de abastecimento já haviam sido travados em contratos de longo prazo firmados em períodos anteriores.
