O ciclo produtivo do trigo brasileiro na safra de 2026 caminha para as suas etapas decisivas. De acordo com o boletim operacional divulgado pela consultoria TF Agroeconômica, com base nos dados mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura da cultura alcançou 90,4% da área total prevista no país. O índice representa um forte avanço em relação aos 87,3% registados na semana anterior. Além disso, o ritmo atual supera consideravelmente a média histórica dos últimos cinco anos para este período, que é de 82,5%.
Esta evolução positiva reflete o encerramento oficial do plantio nos polos agrícolas do Centro-Oeste e do Sudeste, permitindo o arranque dos primeiros trabalhos de colheita. Enquanto estas regiões começam a recolher os grãos, os estados da Região Sul concentram os seus esforços na finalização da implantação das lavouras, enfrentando condições climáticas distintas em cada microrregião.
Como está a colheita de trigo em Goiás e Minas Gerais?
Os estados pioneiros na safra de inverno já concluíram totalmente a etapa de semeadura, direcionando o foco das máquinas para as colhedoras. O estado de Goiás finalizou a totalidade da área de plantio estimada e lidera o progresso da colheita nacional, com 30% dos trabalhos de campo já concluídos.
O avanço ocorre de forma esparsa nas áreas dependentes de chuva (sequeiro), onde as produtividades iniciais têm ficado abaixo das expectativas devido a adversidades climáticas. Em contrapartida, as lavouras irrigadas goianas apresentam um excelente desenvolvimento, com a maior fatia das plantas na fase de florescimento.
Preço do trigo se sustenta com baixa liquidez no mercado
Mercado de trigo opera travado e com baixa liquidez nos estados
Em Minas Gerais, onde a semeadura também foi 100% finalizada, os trabalhos de colheita arrancaram e alcançaram 3% da área total. O cenário mineiro é marcado por fortes contrastes regionais. No Triângulo Mineiro e no Noroeste do estado, a colheita de sequeiro avança com rendimentos inferiores ao esperado pelos agricultores.
No entanto, no Sul de Minas, as lavouras ostentam um potencial produtivo considerado muito bom, beneficiadas pelo registo de temperaturas mais amenas e favoráveis à cultura. Já a Bahia, outro importante polo do Cerrado, encerrou o seu plantio e mantém a totalidade das suas lavouras com bom desenvolvimento vegetativo, aguardando apenas a maturação dos grãos.
Desenvolvimento do trigo no Brasil
No Rio Grande do Sul, o plantio gaúcho avançou para 88% da área prevista, aproximando-se da reta final. O ritmo de evolução sofreu uma leve desaceleração devido ao registo de chuvas concentradas na metade norte do estado.
Embora a elevada humidade do solo trave pontualmente alguns manejos operacionais e a aplicação de adubações de cobertura, as lavouras instaladas apresentam um bom desenvolvimento vegetativo, impulsionadas pelo frio que favorece o perfilhamento das plantas.
O estado do Paraná atingiu 96% da sua semeadura, registando um salto importante frente aos 93% da semana anterior. As lavouras paranaenses encontram-se predominantemente em fase de desenvolvimento vegetativo, com os primeiros talhões a entrar em emergência e floração.
O clima com termómetros mais baixos e a humidade adequada no solo têm garantido um excelente perfilhamento e um elevado padrão de qualidade sanitária na região.
Em Santa Catarina, que possui um calendário tradicionalmente mais tardio, os agricultores atingiram 42,7% da área semeada. O avanço foi expressivo em comparação com os 28,8% da semana anterior, mesmo com a humidade excessiva e episódios de chuva a reduzir a velocidade das máquinas agrícolas. A germinação e a emergência do trigo catarinense são avaliadas como boas.
Por fim, os estados de São Paulo e do Mato Grosso do Sul já encerraram completamente a sua semeadura. Nas terras paulistas, com destaque para a região de Itaberá, a cultura inicia a fase de alongamento e exibe um ótimo desempenho, estimulado pela combinação recente de chuvas e clima frio. No Mato Grosso do Sul, as lavouras contam com humidade de solo adequada e excelentes condições fitossanitárias.
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