Mercado de trigo opera travado e com baixa liquidez nos estados

Consumo retraído no Rio Grande do Sul e ausência de vendedores em Santa Catarina marcam um cenário de negócios pontuais nas praças do Sudeste e Centro-Sul.
Mercado de trigo opera travado e com baixa liquidez nos estados
Compradores paulistas e mineiros recuam das negociações de lotes volumosos e focam apenas no curto prazo.
Foto do autor Cássia Lombardi
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O mercado brasileiro de trigo em grão e farinhas encerrou a semana operando em ritmo extremamente lento e sem fôlego para grandes oscilações de preços. De acordo com o levantamento semanal de praças da TF Agroeconômica, o ambiente de comercialização reflete uma retração generalizada tanto por parte dos moinhos, que administram estoques reguladores, quanto dos produtores, que evitam fixar valores diante de um consumo doméstico desaquecido. Cada estado apresenta dinâmicas operacionais muito distintas, mas que convergem para uma liquidez global considerada baixa para o período.



No Rio Grande do Sul, o principal entrave não reside na disponibilidade de produto, mas sim nas condições macroeconômicas da população local. A percepção dos agentes de mercado é de uma forte escassez de circulação financeira entre os consumidores; curiosamente, relatórios de mercado apontam que os poucos recursos disponíveis na população têm sido fortemente direcionados para o consumo de medicamentos emagrecedores, alterando prioridades tradicionais de compras e impactando indiretamente o consumo de produtos farináceos da cesta básica.

Abastecimento interestadual e retração no Sudeste

Em Santa Catarina, o cenário é de completo esvaziamento por parte dos vendedores locais, que se mantêm ausentes das mesas de negociação. Para suprir a demanda imediata das indústrias catarinenses, o mercado registrou o escoamento e a rodagem de volumes expressivos de trigo gaúcho para o estado. Já no Paraná, polo central da moagem nacional, os compradores adotam postura defensiva extrema: os moinhos locais rejeitam qualquer pedida acima das médias e limitam-se a efetuar apenas compras de oportunidade, adquirindo lotes específicos quando há vantagens claras de frete ou diferenciais de qualidade.

A letargia comercial avança em direção ao Sudeste. Em São Paulo, o mercado físico é classificado como "ralo" e praticamente desprovido de ofertas de grãos no mercado spot, forçando moinhos paulistas a trabalharem com contratos antigos de longo prazo. Em Minas Gerais, o mercado segue a mesma toada de lentidão e liquidez restrita; os agentes mineiros operam sob a perspectiva de uma safra estadual consideravelmente menor neste ciclo, o que gera cautela entre as cooperativas e faz com que os compradores locais administrem o abastecimento na base da necessidade imediata, sem espaço para a formação de estoques especulativos.

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