A Embrapa lançou três protocolos técnicos voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa e ao aumento do sequestro de carbono na produção de leite. As diretrizes resultam de anos de pesquisa e atuam sobre os principais pontos geradores de emissões na atividade pecuária, como manejo animal, uso de fertilizantes e conservação do solo.
Os protocolos integram um livro publicado pela Embrapa Pecuária Sudeste e contribuem diretamente para a descarbonização da cadeia leiteira brasileira. Além disso, a iniciativa está alinhada à meta 13 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que trata do combate às mudanças climáticas.
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Segundo a pesquisadora Patrícia Perondi Anchão Oliveira, a produção de leite já impõe desafios econômicos e técnicos ao produtor. Nesse cenário, a necessidade de reduzir emissões se soma às decisões diárias da propriedade. Ainda assim, a adoção de práticas sustentáveis atende às exigências do mercado e contribui para a segurança alimentar no longo prazo.
Dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação indicam que a agropecuária respondeu por 30,5% das emissões brasileiras de gases de efeito estufa em 2022. Desse total, 19% correspondem ao metano, sendo os bovinos responsáveis por quase a totalidade dessas emissões.
Redução do metano na atividade leiteira
O primeiro protocolo reúne boas práticas para mitigar a emissão de metano pelos bovinos. Entre as estratégias estão a melhoria dos índices produtivos e reprodutivos, a seleção genética de animais superiores, a otimização das dietas, o uso de aditivos, o fornecimento de água de qualidade e o fortalecimento da sanidade e do bem-estar animal.
De acordo com a Embrapa, animais doentes ou sob estresse mantêm a emissão de metano mesmo quando reduzem a produção de leite. Por isso, sistemas mais eficientes diminuem a quantidade de gás emitido por litro produzido. Estudos mostram que vacas mais produtivas diluem melhor a emissão ao longo da produção, aumentando a eficiência ambiental da atividade.
Manejo do solo e uso de fertilizantes
O segundo protocolo trata da redução das emissões de amônia e óxido nitroso no solo. Esses gases estão associados, principalmente, ao uso de fertilizantes nitrogenados e dejetos animais. Além do impacto ambiental, essas perdas representam desperdício econômico para o produtor.
Entre as recomendações estão o uso de leguminosas consorciadas com gramíneas, a aplicação mais eficiente de fertilizantes, a adoção da lotação rotativa e o uso de tecnologias que liberam o nitrogênio de forma gradual. Essas práticas aumentam a eficiência agronômica e reduzem a emissão de gases.
Sequestro de carbono no solo
O terceiro protocolo aborda práticas de manejo do solo voltadas ao acúmulo de carbono. Técnicas como plantio direto, adubação verde, recuperação de pastagens, sistemas integrados e manejo intensivo favorecem a incorporação de matéria orgânica no solo e retiram carbono da atmosfera.
Segundo a Embrapa, pastagens bem manejadas apresentam elevado potencial de sequestro de carbono, inclusive em camadas profundas do solo. Além disso, sistemas integrados com árvores ajudam a compensar parte das emissões dos animais e aumentam a resiliência dos sistemas produtivos.
Para o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Berndt, o principal desafio para ampliar a adoção dessas práticas ainda é o custo inicial. No entanto, ele destaca que, após a implementação, os sistemas se tornam mais produtivos e eficientes, o que melhora a rentabilidade ao longo do tempo.
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