A entrada gradativa da terceira safra no mercado nacional mantém sob pressão negativa os preços praticados para o feijão carioca nas principais regiões produtoras do país. De acordo com o monitoramento de mercado do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o avanço da oferta física do produto em julho de 2026 estimula uma postura de forte cautela por parte dos empacotadores e da indústria na ponta compradora, resultando em desvalorizações consecutivas no campo.
Para o feijão-preto, a dinâmica comercial caminha em sentido oposto. A confirmação técnica de uma quebra no volume produzido atua como um suporte para sustentar os preços da variedade em patamares elevados. Contudo, analistas apontam que a lentidão na absorção pelo consumo final atua como um limitador, impedindo movimentos mais expressivos ou agressivos de valorização para o tipo preto.
Essa realidade de retração no campo ainda não se reflete nas gôndolas dos supermercados. Conforme pesquisadores do setor, existe um descompasso temporal na cadeia de distribuição: enquanto os preços pagos ao produtor já caem em resposta à nova safra, as redes de varejo ainda trabalham com margens que incorporam os custos elevados acumulados durante a primeira e a segunda safras da cultura.
