O mercado brasileiro de combustíveis projeta uma mudança estrutural importante com a ampliação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que sobe de 30% para 32%. A medida deve reduzir a necessidade de importação de gasolina pelo Brasil em aproximadamente 80 milhões de litros por mês, fazendo o volume comprado no exterior recuar para a casa dos 300 milhões de litros mensais e deixando o país mais próximo da autossuficiência no combustível fóssil.
A projeção considera a demanda estimada de 24,7 milhões de metros cúbicos de gasolina C para o segundo semestre de 2026, calculada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O cálculo também toma como base a produção nacional de gasolina registrada em 2025 pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que fechou em 30 milhões de metros cúbicos.
Apesar do recuo nos volumes necessários de fora, a dinâmica de comércio exterior não deve parar. Os importadores brasileiros tendem a manter a avaliação rigorosa das estratégias de compra de gasolina, monitorando de perto a paridade de preços entre o combustível refinado internamente e o produto importado para garantir suas margens de lucro.
Decisão de traders dependerá do mercado interno
O cenário desenhado para o restante do ano mostra que o apetite das tradings continuará condicionado ao comportamento dos grandes players do refino doméstico.
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"A postura de produtoras nacionais em relação a liberações adicionais do combustível também seguirá pesando para a decisão dos traders", aponta Maria Albuquerque, responsável por precificação de diesel na Argus.
A análise reforça que a redução da dependência externa por meio da cana-de-açúcar cria um colchão de segurança para o abastecimento nacional, mas o fluxo final das importações continuará sendo ditado pelas oportunidades de arbitragem de preços no mercado internacional e pelo volume que as refinarias brasileiras decidirem colocar à disposição do mercado.
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