O mercado físico do etanol registrou valorização em suas cotações nominais no Centro-Sul do país, consolidando a terceira semana consecutiva de movimento altista no mercado de balcão. Segundo o relatório semanal divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), o principal indutor do suporte de preços foi a ocorrência de chuvas recorrentes sobre importantes cinturões de cana-de-açúcar, fator que restringiu o ritmo de moagem e limitou o volume de combustível hidratado e anidro disponível para pronta-entrega.
Os pesquisadores do Cepea indicam que os departamentos comerciais das usinas elevaram as tabelas de preços em resposta direta às dificuldades operacionais. A umidade excessiva nos talhões impediu o tráfego de maquinários pesados, forçando a suspensão temporária das atividades industriais em diversas unidades produtoras. No entanto, o avanço dos preços não ocorreu de forma homogênea: em polos onde a capacidade de estocagem estava próxima do limite e a liquidez imediata era necessária para cobrir custos de caixa, algumas destilarias cederam e ofertaram lotes abaixo da média regional.
Cautela das distribuidoras e o teto da safra 2026/2027
Pelo lado comprador, o ambiente de negócios é marcado por uma forte postura defensiva. As grandes distribuidoras e as companhias de bandeira mantêm uma estratégia de cautela, limitando as aquisições ao volume estrito necessário para o cumprimento de contratos de curto prazo, evitando a formação de estoques caros.
Essa resistência das distribuidoras apoia-se nos fundamentos de longo prazo da safra 2026/2027. O mercado corporativo está ciente do robusto desempenho operacional acumulado pelas usinas desde o início do ciclo, o que projeta um balanço de oferta global altamente confortável para o restante do ano. Essa percepção de que há combustível suficiente nos tanques do Centro-Sul impede que as paralisações pontuais por chuva gerem um rali de alta descontrolado nos postos de combustíveis.
