A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) alertou para o risco de desabastecimento de fosfato bicálcico no mercado nacional, insumo considerado essencial para a fabricação de suplementos minerais utilizados na alimentação bovina.
Segundo levantamento realizado pela entidade junto a empresas de nutrição animal, fabricantes de suplementos minerais e produtores rurais, existe a possibilidade de escassez da linha de sal mineral para bovinos nos próximos dias. O cenário preocupa principalmente Mato Grosso, estado que possui o maior rebanho bovino do Brasil.
De acordo com a Famato, a ausência do produto é resultado de uma combinação de fatores, entre eles a baixa produção nacional, elevada dependência das importações, restrições internacionais de oferta, problemas logísticos e impactos de conflitos geopolíticos sobre cadeias globais de suprimentos.
Além disso, alguns países fornecedores passaram a priorizar seus mercados internos para garantir abastecimento de insumos estratégicos voltados à produção de alimentos.
A entidade também aponta aumento significativo nos preços de concentrados para engorda e suplementos minerais, com expectativa de novos reajustes nas próximas semanas. O cenário amplia a pressão sobre os pecuaristas, que já enfrentam margens reduzidas, custos elevados e queda nos preços pagos pela indústria frigorífica.
Impactos na pecuária e agricultura
Segundo a Famato, a preocupação vai além da pecuária e atinge também a agricultura mato-grossense, já que os insumos fosfatados são fundamentais tanto para suplementação animal quanto para produção agrícola.
A avaliação da entidade é de que qualquer instabilidade no fornecimento desses produtos pode comprometer a produtividade, elevar custos operacionais, afetar o planejamento das propriedades e reduzir a competitividade do agro no estado.
Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o problema exige atenção imediata.
“Estamos diante de um alerta importante para a pecuária e para a agricultura. O sal mineral é indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho, assim como os insumos fosfatados são estratégicos para a produção agrícola. Quando esses produtos ficam caros ou, pior, começam a faltar, o impacto chega diretamente ao produtor rural”, afirmou.
A entidade destaca que a deficiência mineral pode afetar ganho de peso, fertilidade, imunidade, produção de leite e índices reprodutivos do rebanho. Na prática, a falta de suplementação adequada reduz a eficiência produtiva e aumenta os riscos sanitários nas propriedades.
Pecuaristas enfrentam pressão em várias frentes
O vice-presidente da Famato e coordenador da Comissão de Pecuária de Corte da entidade, Amarildo Merotti, afirmou que o cenário preocupa ainda mais diante dos demais desafios enfrentados pelos produtores.
“Mato Grosso tem o maior rebanho bovino do Brasil. Qualquer instabilidade no fornecimento de sal mineral atinge milhares de produtores. O pecuarista está sendo pressionado pela alta dos insumos, pelo risco de falta de produto, pela preocupação com vacinas contra clostridioses e pela queda nos preços pagos pela indústria”, destacou.
A Famato também relaciona o alerta à recente escassez de vacinas contra clostridioses, tema já acompanhado pela entidade. Para a federação, a combinação entre dificuldades sanitárias e risco de desabastecimento de insumos amplia a vulnerabilidade econômica e produtiva das propriedades rurais.
Medidas defendidas pela Famato
Entre as propostas defendidas pela entidade estão a redução temporária ou isenção das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre, diminuição da carga tributária sobre sal branco e ureia destinados à nutrição animal, além da desburocratização alfandegária e agilização da liberação de produtos nas fronteiras.
A federação também defende maior aproximação comercial com países fornecedores, como a Bolívia, e reforça a necessidade de implementação efetiva do Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050.
Segundo a Famato, o plano é estratégico para ampliar a produção nacional de insumos, estimular investimentos e reduzir a dependência externa do Brasil.
“O Brasil não pode depender quase exclusivamente do mercado externo para garantir insumos essenciais à produção de alimentos. Garantir fertilizantes e insumos minerais acessíveis é uma questão de soberania, segurança alimentar e competitividade para o produtor rural”, concluiu Vilmondes Tomain.
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