Cáceres consolidou sua posição como um dos grandes motores da bovinocultura de corte no cenário nacional ao registrar uma expansão de 61,9% em seu rebanho bovino ao longo das últimas duas décadas. De acordo com os dados históricos compilados no anuário Beef Report, publicado pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o plantel do município saltou de 699.059 cabeças para um total de 1.131.933 animais.
Esse desempenho produtivo posiciona a cidade mato-grossense com o quinto maior rebanho bovino de todo o território brasileiro. A atividade pecuária na região possui raízes históricas profundas, iniciada ainda no século 18 durante a ocupação da fronteira oeste da Capitania de Mato Grosso. O setor prosperou graças às características geográficas locais, marcadas pelos campos nativos do Pantanal, abundância de recursos hídricos e topografia favorável ao manejo extensivo.
O avanço da pecuária em Mato Grosso
O levantamento da Abiec revela o protagonismo de Mato Grosso no cenário nacional, mostrando que três das dez maiores potências pecuárias municipais do país estão localizadas no estado.
Dentre os destaques estaduais, o salto proporcional mais expressivo ocorreu no município de Colniza, onde o volume de gado disparou de 320.039 para 714.951 cabeças em duas décadas, representando um crescimento de 123,3%. Já em Vila Bela da Santíssima Trindade, o plantel bovino marchou de 745.765 para 979.665 cabeças, o que significa um incremento de 31,3% no mesmo intervalo comparativo.
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Os relatórios setoriais indicam que essa descentralização e crescimento da atividade pelas diversas regiões mato-grossenses foram sustentados por um forte ciclo de investimentos privados. Os pecuaristas injetaram recursos em melhoramento genético, nutrição de precisão, sanidade animal e adequações de manejo no campo, fatores que expandiram a capacidade de suporte das pastagens.
Eficiência e mercado global
O diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, aponta que o crescimento consistente das estatísticas agropecuárias reforça o papel estratégico do setor na economia estadual.
Andrade avalia que a evolução das duas últimas décadas comprova que o setor conseguiu conciliar o aumento físico de animais com um ganho expressivo em eficiência zootécnica. Para o executivo do Imac, esse avanço estrutural gera reflexos em cascata, blindando os empregos no interior, garantindo o abastecimento das indústrias frigoríficas locais e elevando o nível de competitividade da carne de Mato Grosso diante das exigências dos principais mercados compradores do mundo.
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