O AgriHub apresentou, durante o 5º Simpósio de Suinocultura em Cuiabá, a edição 2026 do relatório "Sementes da Inovação – Suinocultura". O documento consolida os resultados de um programa desenhado para conectar produtores rurais, startups e especialistas, trazendo um diagnóstico completo da atividade em Mato Grosso. O objetivo principal é acelerar a introdução de novas tecnologias no campo para elevar a eficiência, reduzir custos operacionais e expandir a competitividade da cadeia produtiva de suínos.
Expansão da cadeia e perfil das propriedades
De acordo com a gerente do AgriHub, Érika Segóvia, o foco do relatório na suinocultura justifica-se pelo forte ritmo de crescimento do setor no estado. Atualmente, Mato Grosso ocupa o sexto lugar no ranking nacional de produção de suínos, respondendo por 4,78% do total do país. Nas últimas três décadas, o plantel mato-grossense de matrizes saltou de 5 mil para 135 mil cabeças, consolidando o estado como um polo de expansão da atividade.
O levantamento foi conduzido nos principais eixos produtores de Mato Grosso, cobrindo a região de Sorriso (incluindo Lucas do Rio Verde, Sinop, Vera e Tapurah) e a região de Campo Verde (contemplando Primavera do Leste e Nova Brasilândia). Ao todo, 123 suinocultores participaram da pesquisa, apontando 32 desafios estratégicos para o setor. Em relação ao perfil das granjas consultadas, as propriedades de ciclo completo representam 45,4% da amostra, seguidas pelas Unidades Produtoras de Leitões com 36,6% e pelas Unidades de Terminação com 18,18%. O tamanho do plantel aponta uma polarização: 40% das granjas possuem entre 1,5 mil e 3 mil animais, enquanto outros 40% operam com estruturas de grande porte que superam as 12 mil cabeças.
Gargalos de conectividade e demandas prioritárias
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O diagnóstico constatou que os produtores de Mato Grosso têm grande interesse em testar novas ferramentas tecnológicas, mas esbarram em sérias deficiências de infraestrutura de telecomunicações. Enquanto 50% das propriedades rurais amostradas em Campo Verde contam com conectividade de internet em toda a sua área de produção, nenhuma das granjas avaliadas na região de Sorriso possui cobertura total, existindo unidades que trabalham em completo isolamento digital.
Diante dos depoimentos colhidos no campo, o AgriHub priorizou as áreas mais críticas que exigem intervenção tecnológica rápida. O diagnóstico listou a necessidade de melhorar a qualidade da matéria-prima das rações, otimizar a comercialização dos animais, ampliar a capacitação técnica da mão de obra e facilitar o acesso a linhas de crédito específicas para a atividade. Os suinocultores também apontaram demandas urgentes na gestão operacional das granjas — envolvendo pessoas, governança e resíduos — e no acesso a uma assistência técnica especializada e independente.
Para responder a esse cenário, o edital do AgriHub atraiu a inscrição de 36 startups, das quais seis foram selecionadas devido à maior aderência aos problemas relatados. Suas soluções envolvem biotecnologia, visão computacional, inteligência artificial, sensores tridimensionais para avaliação zootécnica, automação de processos e ferramentas de rastreabilidade animal.
Crescimento produtivo e margens de lucro
O avanço tecnológico coincide com um período de forte crescimento quantitativo na suinocultura de Mato Grosso. Segundo Cleiton Gauer, superintendente da Famato, do Imea e do AgriHub, a criação de suínos no estado registrou alta de 17,1% em 2026 em relação ao ano anterior. Esse avanço representa a terceira elevação anual consecutiva no número de matrizes, operando 31,94% acima da média histórica de Mato Grosso.
Apesar da alta nos volumes de abate e de carne produzida, as lideranças alertam para o fator rentabilidade. A expansão acelerada da oferta pressiona os preços pagos ao produtor, exigindo um nível de profissionalismo e uso de tecnologia cada vez maior para garantir o equilíbrio financeiro e a sustentabilidade do setor no longo prazo.
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