Os produtores de soja de Mato Grosso devem enfrentar uma safra 2026/27 mais desafiadora. Levantamento divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), por meio do Projeto Custo de Produção Agropecuário (CPA), aponta aumento dos custos de produção, maior necessidade de produtividade para garantir rentabilidade e incertezas relacionadas ao clima e ao crédito rural.
De acordo com o estudo, desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) em parceria com o Imea, o custeio da soja para a próxima temporada está estimado em R$ 4.315,29 por hectare, valor 3,21% superior ao registrado na safra anterior.
Entre os principais fatores responsáveis pela elevação dos custos estão os fertilizantes e corretivos, que tiveram aumento de 5,40%, influenciados principalmente pelo cenário geopolítico internacional. Os defensivos agrícolas também registraram avanço significativo, com alta próxima de 11% na comparação com o ciclo passado.
Além do aumento dos gastos, o levantamento mostra que o ponto de equilíbrio da atividade cresceu 9,13%. Na prática, isso significa que os produtores precisarão obter maior produtividade nas lavouras ou comercializar a soja a preços mais elevados para manter a rentabilidade da atividade.
Segundo a analista de mercado da soja do Imea, Milena Bezerra, o ambiente econômico atual traz desafios adicionais para o planejamento da próxima safra.
“O cenário de crédito rural mais restrito limita os investimentos dos produtores, tanto em maquinários quanto no próprio pacote tecnológico utilizado nas lavouras. Dessa forma, temos uma combinação de fatores climáticos e econômicos que pode pressionar a produtividade e influenciar as decisões de investimento nas propriedades”, afirma.
Clima preocupa produtores para a próxima temporada
Além dos custos mais elevados, o comportamento do clima também está no radar dos produtores mato-grossenses. Conforme a analista do Imea, a safra 2026/27 ainda exige cautela devido às incertezas relacionadas à intensidade do fenômeno El Niño.
“A safra 2026/27 ainda se mantém em um cenário de maior cautela. Sob a ótica do clima, a incerteza quanto à intensidade do El Niño preocupa o setor, já que esse fenômeno impacta diretamente o desenvolvimento da cultura e limita o potencial produtivo das lavouras. Ainda não é possível prever como será o comportamento das chuvas, mas já existe a confirmação da presença das condições de El Niño no Pacífico Equatorial, o que indica anomalias na distribuição das precipitações”, explica Milena Bezerra.
Diante desse cenário, o setor acompanha atentamente a evolução dos custos, das condições climáticas e da oferta de crédito, fatores que serão determinantes para a definição das estratégias dos produtores e para o desempenho da próxima safra de soja em Mato Grosso.