O Brasil conquistou mais um reconhecimento internacional na cadeia do algodão. O Centro Brasileiro de Referência e Análise do Algodão (CBRA), vinculado à Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), foi incluído como fornecedor oficial de amostras para as rodadas interlaboratoriais do Commercial Standardization of Instrument Testing of Cotton (CSITC), iniciativa ligada ao International Cotton Advisory Committee (ICAC).
A inclusão coloca o laboratório brasileiro em uma posição estratégica dentro de um dos principais programas globais voltados à padronização da qualidade da fibra, reforçando a credibilidade do algodão nacional nos mercados internacionais.
Nova função em programa internacional
A decisão ocorre em um momento de transição no CSITC, após o encerramento da participação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no fornecimento de amostras utilizadas nos testes comparativos entre laboratórios.
Com a mudança, o CBRA passa a ser responsável pela validação, preparação e envio dos materiais utilizados nas análises realizadas por instituições de diversos países.
O programa reúne representantes de toda a cadeia global do algodão, incluindo produtores, exportadores, pesquisadores, comerciantes e integrantes da indústria têxtil. O objetivo é garantir que os resultados das análises de qualidade da fibra sejam consistentes e comparáveis independentemente do país onde forem realizados.
Reconhecimento da capacidade técnica brasileira
A participação do laboratório brasileiro é vista como um reconhecimento da evolução técnica alcançada pelo setor algodoeiro nacional.
Segundo o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, a inclusão do CBRA reforça a posição do Brasil nas discussões internacionais relacionadas à qualidade e comercialização da fibra.
“Essa inclusão atesta a competência técnica do Brasil e consolida o CBRA como um laboratório de referência global. É um movimento que amplia o protagonismo do país em decisões estratégicas para o comércio internacional do algodão”, afirma Portocarrero.
O reconhecimento também foi destacado por Axel Drieling, representante do Bremen Fiber Institute e da ICA Bremen, instituições de referência mundial em pesquisa e padronização do algodão.
“Somos muito gratos ao apoio da Abrapa ao CSITC e às rodadas interlaboratoriais do programa. Com a colaboração da entidade, podemos dar continuidade aos testes e fortalecer ainda mais a base internacional que sustenta sua execução”, destaca Drieling.
Operação envolve logística internacional
A participação brasileira já teve papel importante na segunda rodada interlaboratorial de 2026. O CBRA foi responsável pela preparação e envio de 71 conjuntos de amostras para 54 laboratórios distribuídos em diferentes países, sendo nove deles localizados no Brasil.
As amostras são produzidas a partir de fardos homogêneos e apresentam variações controladas de características da fibra, garantindo maior precisão e confiabilidade aos testes.
Além do trabalho técnico, a operação exige uma complexa estrutura logística, envolvendo exigências sanitárias, documentação alfandegária e regras específicas de cada destino.
De acordo com o gerente de qualidade da Abrapa, Deninson Lima, o processo demanda atenção tanto na preparação das amostras quanto no envio internacional.
“Mais do que preparar amostras tecnicamente consistentes, o processo exige domínio logístico e conhecimento detalhado das exigências internacionais. Essa é uma etapa tão desafiadora quanto a própria análise laboratorial”, ressalta.
Reflexos para o algodão brasileiro
A participação do CBRA já está confirmada também para a terceira e a quarta rodadas interlaboratoriais do programa, ampliando a contribuição brasileira para a padronização internacional da classificação do algodão.
Para o setor, a iniciativa fortalece a presença do país em um mercado cada vez mais exigente em relação à qualidade e à rastreabilidade da fibra.
Segundo Portocarrero, a atuação do laboratório brasileiro contribui para ampliar a influência do país nas discussões globais sobre classificação e comercialização do algodão.
“A inclusão das amostras produzidas pelo CBRA no CSITC fortalece toda a cadeia produtiva brasileira, que passa a ter ainda mais peso nas discussões sobre qualidade, classificação e comercialização da fibra no mundo”, afirma.
Ao assumir esse novo papel, o Brasil reforça sua posição não apenas como um dos maiores produtores mundiais de algodão, mas também como referência técnica internacional na avaliação da qualidade da fibra.