Os principais órgãos de representação da agricultura nacional se uniram para tentar destravar o fluxo de capital que abastece o plantio no país. Um plano articulado pela Abrapa, Aprosoja Brasil, Ampa, Famato e CNA foi entregue aos ministérios em Brasília sugerindo a estruturação imediata de um Fundo Garantidor focado em operações de custeio. O objetivo é quebrar a barreira enfrentada por produtores que, embora tenham linhas de crédito teoricamente disponíveis no mercado, não conseguem fechar os contratos junto aos bancos.
O diagnóstico apresentado pelas associações aponta um cenário de estrangulamento financeiro no campo: lucros menores, juros elevados, bancos muito mais conservadores na liberação de limites e produtores com o patrimônio imobilizado em garantias de empréstimos passados. Essa combinação impede que novos financiamentos sejam validados para cobrir os custos com sementes, defensivos e fertilizantes da próxima temporada.
Como saída rápida, o bloco do agro propõe o uso do modelo FGI-PEAC por meio de uma divisão exclusiva para o campo. A proposta pede uma reserva inicial de R$ 8 bilhões vindos do Tesouro Nacional. Pela regra de alavancagem do mercado financeiro, esse montante daria sustentação jurídica para liberar até R$ 80 bilhões em novos empréstimos nas agências bancárias.
Funcionamento e contrapartida do produtor
A engenharia financeira sugerida não elimina o papel tradicional dos bancos. As instituições financeiras continuariam avaliando o perfil de risco de cada cliente e assumindo responsabilidades no negócio. Para que o fundo cresça e se sustente sem depender apenas do dinheiro público, os próprios agricultores beneficiados pagariam uma taxa de 1% sobre o valor total de cada contrato firmado, retroalimentando o sistema protetor.
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O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, avalia que o volume de recursos anunciado nos planos governamentais perde o sentido se não chegar à ponta final da cadeia. Ele aponta que muitos produtores estão com capacidade produtiva intacta, mas com as garantias esgotadas devido ao cenário severo de risco percebido pelas diretorias de crédito das instituições financeiras.
A intenção das entidades não envolve cobrir calotes, renegociar faturas antigas ou repassar todo o risco do negócio para o Estado. A meta central é blindar os novos contratos, flexibilizar a exigência de hipotecas de terras ou maquinários e dar fôlego para quem tem condições de produzir.
Planejamento de longo prazo
Além do socorro momentâneo, as entidades rurais miram o futuro da política agrícola. O documento encaminhado ao governo desenha a criação de um fundo avalista definitivo a partir de 2027. O mecanismo prevê o rateio de custos entre União, estados, municípios, bancos e a classe produtora, nos moldes do que já ocorre no programa Garantia-Safra.
A meta desse projeto de longo prazo é criar um ambiente estável que dispense pacotes de socorro financeiro emergenciais sempre que houver crises de preços ou quebras de safra por clima. A proposta completa foi entregue acompanhada de um estudo técnico detalhado que demonstra a viabilidade do fundo e as regras para sua implantação imediata nas agências operadoras.
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