Os preços do algodão em pluma continuam em trajetória de queda no mercado doméstico brasileiro e já acumulam seis meses consecutivos de recuo. Apesar desse movimento, as cotações internas seguem mais vantajosas que a paridade de exportação, favorecendo as negociações voltadas ao mercado nacional.
Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o comportamento dos vendedores tem variado conforme a situação financeira de cada agente. Enquanto parte dos produtores e comerciantes permanece capitalizada e focada no cumprimento dos contratos a termo, outros aproveitam o momento para comercializar os volumes remanescentes da safra 2024/25.
O Cepea destaca ainda que a redução dos preços internacionais tem levado alguns participantes do mercado a adotar uma postura mais flexível nas negociações, buscando novas oportunidades de venda diante do atual cenário.
Outro fator observado pelos pesquisadores é a chegada dos primeiros lotes da safra 2025/26 ao mercado spot. As ofertas iniciais têm como destaque a produção oriunda dos estados de São Paulo e da Bahia, ampliando gradualmente a disponibilidade da pluma no mercado.
Demanda segue cautelosa
Do lado comprador, o ritmo de negociações continua moderado. Conforme o Cepea, as indústrias seguem tentando adquirir a matéria-prima a preços mais baixos, justificando a estratégia pelo desempenho ainda limitado das vendas do setor têxtil.
Já os comerciantes mantêm uma postura cautelosa, realizando negociações pontuais e priorizando operações consideradas mais seguras, com compras e vendas alinhadas simultaneamente.
Nesse contexto, o mercado do algodão segue marcado por um equilíbrio delicado entre a maior oferta, a demanda seletiva e as oportunidades criadas pela vantagem dos preços domésticos em relação à paridade de exportação.