A forte dependência de Mato Grosso do Sul do mercado chinês voltou ao radar do agronegócio diante do aumento das tensões entre China, Taiwan e Estados Unidos. Levantamento divulgado pela Aprosoja/MS mostra que 84,3% da soja exportada pelo estado têm como destino o mercado chinês.
O cenário acende o alerta no setor produtivo, já que qualquer instabilidade envolvendo a economia chinesa ou o comércio internacional pode afetar diretamente os custos e a comercialização da safra sul-mato-grossense.
Segundo o Informativo Econômico 02/2026 da Aprosoja/MS, além da dependência nas exportações de grãos, o Brasil também mantém forte ligação internacional na importação de fertilizantes e insumos agrícolas.
Atualmente, Canadá, Rússia e China aparecem entre os principais fornecedores globais de fertilizantes utilizados no país.
Custos no campo entram no radar
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A avaliação dos analistas é que uma escalada das tensões internacionais pode provocar efeitos indiretos importantes no agronegócio brasileiro, mesmo sem ocorrência de conflito militar direto.
Entre os principais riscos apontados estão o aumento do frete marítimo, a valorização do dólar e o encarecimento de fertilizantes, defensivos agrícolas e combustíveis utilizados no campo.
Segundo a Aprosoja/MS, esse cenário pode elevar os custos de produção, aumentar a volatilidade nos preços da soja e do milho e pressionar o planejamento financeiro do produtor rural, especialmente devido à alta dos insumos dolarizados.
A preocupação aumenta especialmente em um momento de margens mais apertadas para parte dos produtores e atenção elevada à relação de troca.
Brasil pode ganhar espaço nas exportações
Apesar dos riscos, a análise também aponta possíveis oportunidades para o agronegócio brasileiro.
Em um cenário de maior distanciamento comercial entre China e Estados Unidos, o Brasil pode ampliar sua posição como fornecedor estratégico de soja e outras commodities agrícolas ao mercado chinês.
Para os analistas da Aprosoja/MS, o principal desafio do produtor rural será acompanhar os movimentos do mercado internacional e manter atenção ao custo operacional da atividade diante de um ambiente de maior volatilidade econômica.
