Uma sequência de furtos de cabos de cobre em pivôs de irrigação disparou o sinal de alerta e instalou um ambiente de forte insegurança no meio rural de Mato Grosso do Sul. De acordo com relatos consolidados pela equipe de campo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), os crimes estão concentrados em propriedades estratégicas situadas nos municípios de Bandeirantes, Jaraguari e Ribas do Rio Pardo, principalmente ao longo dos eixos logísticos das rodovias MS-245, MS-338 e MS-134. Os ataques geram pesados prejuízos financeiros para a classe produtora e comprometem a estabilidade operacional das fazendas.
Na Fazenda Cachoeira, em Bandeirantes, os criminosos aproveitaram uma janela de calmaria durante a madrugada para invadir a casa de bombas de um pivô central que havia sido desligado preventivamente em função das chuvas. Munidos de esmerilhadeiras e ferramentas específicas, os invasores cortaram a fiação de alta espessura e vandalizaram os painéis de acionamento eletrônico. O prejuízo material estimado na propriedade alcança R$ 70 mil, somando o custo de reposição dos materiais e a manutenção corretiva dos componentes danificados, além do desgaste psicológico gerado na equipe da fazenda.
Ação planejada, inteligência criminosa e resposta policial
Os relatos de campo indicam que os crimes não são fruto de oportunidades casuais, mas sim execuções planejadas por indivíduos com elevado conhecimento técnico sobre a infraestrutura elétrica rural. Agricultores locais ressaltam que os criminosos monitoram a rotina interna das propriedades através de ferramentas de localização digital, escolhem dias de chuva para agir — quando os sistemas de irrigação são desligados — e utilizam equipamentos profissionais, como bastões de manobra para alta tensão e alicates de corte industrial. Em casos mais extremos, os assaltantes chegaram a desenterrar redes de cabos subterrâneos. Uma das investigações recentes apontou inclusive a cumplicidade de ex-prestadores de serviços que conheciam as plantas elétricas das propriedades.
Diante do avanço das ocorrências, que já contabilizam pelo menos seis fazendas atingidas na região e propriedades atacadas por até três vezes consecutivas, a mobilização entre os vizinhos foi intensificada com o reforço de rondas comunitárias e monitoramento por GPS. Acionada pela Aprosoja/MS, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul informou que suas equipes de inteligência e radiopatrulha rural já identificaram os principais autores dos crimes e que o policiamento ostensivo foi severamente reforçado na região para efetuar as prisões. Paralelamente, o setor aguarda o posicionamento da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (Deleagro) para mapear os receptadores do cobre furtado.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
