Os trabalhos de campo para a colheita do milho segunda safra em Mato Grosso do Sul caminham em ritmo lento e operam abaixo do desempenho observado no mesmo período do ciclo anterior. Dados consolidados pelo Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (Projeto SIGA-MS), desenvolvido pela Aprosoja/MS em parceria com o Fundems/Semadesc, revelam que apenas 0,7% da área total cultivada havia sido colhida até o encerramento da quarta semana de junho. O indicador aponta um atraso de aproximadamente 5,5 pontos percentuais em relação à safra anterior.
A umidade excessiva provocada por volumes frequentes de chuva nos principais municípios produtores é o fator central para o travamento do maquinário. Especialistas técnicos explicam que a retenção de água nos grãos impede a colheita imediata, um comportamento característico do período.
Para agravar o cenário, frentes de ar frio provocaram episódios de geada na região de Aral Moreira. O monitoramento preliminar indica danos em lavouras que se encontravam nos estádios reprodutivos R3 e R4 (fases de grão leitoso e pastoso), momentos de extrema vulnerabilidade ao congelamento de tecidos. O impacto, contudo, deve ficar restrito a no máximo 5% da área do município, configurando uma perda localizada.
Radiografia das lavouras e quebra na produção
O acompanhamento técnico traz um panorama heterogêneo sobre a qualidade do cereal que ainda está no campo:
Preços do milho tentam recuperação em Chicago antes de dados do USDA
Milho desvaloriza em Chicago com foco voltado para dados do USDA
Boas condições: 70,8% das lavouras do estado.
Condições regulares: 18,3% da área total.
Condições ruins: 10,9% das plantações.
A região Norte lidera os índices de produtividade, com 88% de suas áreas classificadas com bom potencial de rendimento. Em contrapartida, a região Central do estado enfrenta os maiores problemas operacionais e agronômicos, concentrando 22% de suas lavouras em situação classificada como ruim.
Para este ciclo, a área consolidada de segunda safra está estimada em 2,206 milhões de hectares, o que representa uma expansão de 3% sobre a média dos últimos cinco anos. No entanto, o clima adverso cobrou seu preço no rendimento biológico. A produtividade média estadual foi revisada para baixo e está projetada em 84,2 sacas por hectare (recuo de 22,4%), o que deve limitar a produção total em 11,139 milhões de toneladas — um volume 20,1% menor do que o colhido na temporada passada.
