A combinação entre safras volumosas de grãos, um déficit estrutural histórico na capacidade de armazenagem e o expressivo volume de exportações in natura coloca Mato Grosso do Sul diante de uma oportunidade estratégica para expandir seu parque agroindustrial. Um estudo detalhado desenvolvido pela Aprosoja/MS aponta que a ampliação da capacidade de esmagamento no estado é o caminho mais eficiente para agregar valor à produção, aliviar o estresse logístico e elevar a competitividade dos produtores da região no mercado de commodities.
Os dados mostram que aproximadamente 43% da soja colhida no território sul-mato-grossense seguiu para o mercado externo na forma de grãos brutos. Desse volume total, cerca de 6,1 milhões de toneladas foram exportadas sem qualquer nível de processamento industrial doméstico, o que evidencia uma margem altamente atrativa para a atração de novas plantas esmagadoras e indústrias de derivados.
O fantasma do déficit de armazenagem
O levantamento traz um alerta crítico sobre a infraestrutura logística do estado. Mato Grosso do Sul conta com uma capacidade estática de estocagem de 15,59 milhões de toneladas. No entanto, a produção conjunta de soja e milho supera o teto dos armazéns disponíveis em aproximadamente 12,4 milhões de toneladas.
Na prática, essa insuficiência obriga o produtor a acelerar a venda e o escoamento dos lotes logo após a colheita, o que inflaciona o preço do frete rodoviário e destrói o poder de retenção do grão para momentos comercialmente mais favoráveis do mercado físico.
Nesse cenário, a verticalização da cadeia surge como um colchão de amortecimento econômico. "O fortalecimento da capacidade de processamento permite que uma parcela maior da riqueza gerada no campo permaneça na economia estadual. A instalação de novas indústrias amplia a demanda regional por grãos, fortalece os elos da cadeia produtiva e reduz a dependência exclusiva das oscilações do mercado internacional", explica Linneu Borges Filho, analista de Economia da Aprosoja/MS.
Rotas estratégicas e o mercado de subprodutos
Atualmente, o parque agroindustrial de processamento do estado conta com plantas ativas localizadas nos municípios de Dourados, Campo Grande, Três Lagoas, Caarapó e Sidrolândia, além de uma nova unidade em fase de construção em Naviraí. A concentração dessas indústrias acompanha o polo geográfico da produção, situado na porção sul e sudoeste de Mato Grosso do Sul, regiões beneficiadas pela malha rodoviária e pela proximidade com os grandes centros consumidores e corredores de exportação.
De acordo com o estudo da Aprosoja/MS, o avanço da pecuária intensiva e a expansão da produção de proteína animal mantêm aquecida a procura por farelo de soja para a formulação de rações. Paralelamente, o cumprimento do cronograma de aumento gradual da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel nos postos do país garante um mercado de alta previsibilidade e demanda firme para o óleo bruto de soja, consolidando o potencial sul-mato-grossense na agroindustrialização nacional.