O milho segunda safra 2025/26 apresenta cenário positivo em Mato Grosso do Sul. Levantamento do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc, mostra que 70,6% das lavouras estão em boas condições de desenvolvimento, reforçando as perspectivas para uma safra expressiva no estado.
De acordo com os dados divulgados pela entidade, outras 18,4% das áreas foram classificadas como regulares, enquanto 11% apresentam condições consideradas ruins.
A estimativa atual aponta para uma área cultivada de 2,206 milhões de hectares, produtividade média de 84,2 sacas por hectare e produção total de 11,139 milhões de toneladas.
Regiões apresentam cenários distintos
Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o desempenho das lavouras varia de acordo com a distribuição das chuvas e o período de plantio adotado pelos produtores.
As regiões norte, nordeste e oeste concentram os melhores índices de áreas classificadas como boas. Já as regiões centro, sul e sul-fronteira enfrentam maior percentual de lavouras regulares e ruins, influenciadas pela irregularidade climática e pelo risco de estiagem e geadas.
“O comportamento das lavouras está diretamente ligado às condições climáticas registradas ao longo do ciclo e ao período em que ocorreu a semeadura”, destaca Balta.
Plantio foi concluído em abril
O plantio da segunda safra teve início na terceira semana de janeiro e foi finalizado na última semana de abril, totalizando 16 semanas de trabalho no campo.
Conforme o levantamento, 78,8% da área cultivada foi semeada entre a segunda semana de fevereiro e a terceira semana de março, período considerado estratégico para o desenvolvimento da cultura.
Granizo atingiu áreas pontuais
O monitoramento da Aprosoja/MS também identificou ocorrências de granizo durante o mês de maio em municípios como Deodápolis, Fátima do Sul, Juti, Ivinhema e Dourados. As áreas atingidas somam aproximadamente 2,1 mil hectares.
Segundo Gabriel Balta, os impactos foram localizados, mas seguem sendo acompanhados pela equipe técnica da entidade para avaliar possíveis reflexos sobre a produtividade das lavouras afetadas.
Área proporcional à soja diminui
O levantamento mostra ainda uma mudança no perfil de ocupação agrícola do estado. A segunda safra de milho deverá ocupar cerca de 46% da área cultivada com soja em Mato Grosso do Sul, percentual inferior aos 75% observados em temporadas anteriores.
De acordo com a Aprosoja/MS, essa redução está relacionada às restrições impostas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) e à adoção de culturas alternativas em regiões mais vulneráveis aos riscos climáticos.
Pragas e doenças seguem sob monitoramento
Entre os principais desafios fitossanitários identificados nas lavouras estão a cigarrinha-do-milho, a lagarta-do-cartucho, pulgões e percevejos.
Também foram registradas ocorrências de doenças como cercosporiose, mancha bipolaris e helminthosporiose, que permanecem sob acompanhamento técnico para evitar perdas de produtividade. Mesmo diante desses desafios, o cenário atual mantém perspectivas positivas para a produção de milho safrinha em Mato Grosso do Sul na temporada 2025/26.
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