Produtores de MS terão desafios e ganhos com nova tributação

Levantamento da Aprosoja/MS indica redução da carga tributária para exportadores, mas alerta para novos custos com fertilizantes e adaptações operacionais
Produtores de MS terão desafios e ganhos com nova tributação
Produtores de soja e milho de Mato Grosso do Sul deverão se adaptar às novas regras da Reforma Tributária durante o período de transição. Foto: Aprosoja MS / Divulgação
Foto do autor Cássia Lombardi
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A Reforma Tributária, instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, deverá provocar mudanças relevantes para os produtores rurais de Mato Grosso do Sul. Estudo elaborado pela Aprosoja/MS indica que, apesar dos desafios previstos durante a fase de transição, os efeitos de longo prazo tendem a ser positivos, especialmente para propriedades com perfil exportador.

O levantamento avaliou os impactos do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) nas cadeias produtivas da soja e do milho, culturas que estão entre as principais atividades agrícolas do estado.



Atualmente, Mato Grosso do Sul ocupa a quinta posição entre os maiores produtores de soja do país, com área superior a 4,6 milhões de hectares na safra 2025/26. O milho segunda safra também tem forte participação na economia estadual, com expectativa de cultivo superior a 2,2 milhões de hectares. Juntas, as atividades agropecuárias representam cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) sul-mato-grossense.

Recuperação de créditos favorece exportadores

Entre os principais pontos positivos apontados pelo estudo está a manutenção da desoneração das exportações, que continuarão sem incidência de IBS e CBS.

Além disso, o novo modelo tributário permitirá a recuperação integral dos créditos gerados na aquisição de insumos, eliminando limitações existentes no sistema atual e reduzindo distorções tributárias enfrentadas pelo setor produtivo.

Segundo a Aprosoja/MS, esse mecanismo tende a beneficiar principalmente os produtores que destinam parte significativa da produção ao mercado externo.

Fertilizantes entram no radar de preocupação

Apesar dos benefícios previstos, o estudo destaca que alguns custos da atividade rural poderão aumentar com a nova estrutura tributária.

O principal ponto de atenção está relacionado aos fertilizantes, que atualmente contam com alíquota zero e passarão a ter tributação efetiva estimada em 11,19%. Também deverão ocorrer impactos sobre contratos de arrendamento rural e sobre os sistemas de gestão fiscal e operacional das propriedades.

Simulação aponta queda na carga tributária

A Aprosoja/MS realizou uma simulação considerando uma propriedade com 800 hectares cultivados, divididos igualmente entre soja e milho, com cerca de 70% da produção destinada à exportação.

Nesse cenário, a carga tributária líquida anual cairia de R$ 147,3 mil para R$ 42,9 mil após a implantação completa do novo sistema, prevista para 2033.

A redução estimada é de aproximadamente R$ 104,4 mil por ano, equivalente a 71% da carga tributária líquida atualmente suportada pelo produtor.

De acordo com o estudo, o resultado decorre principalmente da não cumulatividade plena dos novos tributos, permitindo a recuperação integral dos créditos gerados na compra de insumos.

Período de transição exigirá planejamento

Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Flôres Gimenes, a reforma representa uma transformação estrutural que exigirá atenção dos produtores ao longo dos próximos anos.

Segundo ele, o principal benefício está na recuperação integral dos créditos tributários para propriedades exportadoras. Em contrapartida, fertilizantes e outros insumos que atualmente recebem tratamento tributário favorecido passarão a sofrer incidência de impostos, exigindo maior controle sobre os custos de produção.

O especialista ressalta ainda que os impactos não serão iguais para todos os produtores. Enquanto propriedades mais voltadas à exportação tendem a apresentar resultados neutros ou positivos no longo prazo, aquelas com maior participação no mercado interno precisarão avaliar cuidadosamente os efeitos sobre fertilizantes, arrendamentos e demais despesas da atividade.

Recomendações para os produtores

O estudo recomenda que os produtores iniciem ainda em 2026 uma revisão completa de seus processos tributários e operacionais.

Entre as medidas sugeridas estão a realização de um diagnóstico tributário da propriedade, a atualização dos procedimentos de emissão de notas fiscais, a organização dos controles para rastreamento de créditos tributários e a revisão de contratos e cadastros.

A Aprosoja/MS também destaca a importância de acompanhar as regulamentações complementares que ainda definirão as alíquotas finais e os procedimentos operacionais do novo sistema.

Na avaliação da entidade, a Reforma Tributária tende a ser neutra ou levemente positiva para a produção de soja e milho em Mato Grosso do Sul no longo prazo, mas exigirá adaptação, planejamento financeiro e acompanhamento técnico durante todo o período de transição até 2033.

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