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Custos do leite sobem com impacto de conflitos globais

Alta de fertilizantes, combustíveis e energia encarece produção e reduz margem no campo

Custos do leite sobem com impacto de conflitos globais
Alta nos insumos pressiona custos e reduz rentabilidade do produtor de leite Meta
Foto do autor Jair Reinaldo
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Os custos de produção de leite voltaram a subir em março, pressionados principalmente por fatores externos ligados ao cenário internacional. O Índice de Insumos para Produção de Leite Cru do Rio Grande do Sul (ILC) registrou alta de 3,1% no mês, segundo levantamento da equipe econômica da Farsul.

A elevação é reflexo direto dos conflitos no Oriente Médio, que têm provocado impactos nas rotas globais de comércio e influenciado o preço de insumos estratégicos. O petróleo apresentou forte valorização, com alta de 43% em relação a fevereiro, o que resultou em aumento superior a 6% nos combustíveis.

Os fertilizantes também tiveram avanço expressivo, com alta de 19,7% no período, puxada principalmente pela ureia. A energia elétrica seguiu a mesma tendência, com aumento de 7,5%, influenciada por fatores sazonais.

Pressão nos custos e nas margens

Apesar da alta registrada em março, o indicador ainda acumula queda de 1,59% no primeiro trimestre do ano, movimento alinhado ao comportamento do IGP-DI. Ainda assim, a combinação de custos elevados e queda no preço pago ao produtor preocupa o setor.

No acumulado de 12 meses, o índice apresenta deflação de 6,4%, mas com aumentos relevantes em itens essenciais, como fertilizantes, que sobem 21,7%, e energia elétrica, com alta de 22,5%. Ao mesmo tempo, o preço recebido pelo produtor registra queda acumulada de 12%.

Esse cenário tem resultado em compressão das margens e deterioração das relações de troca, tornando o ambiente operacional mais desafiador para o produtor de leite.

Perspectivas seguem desafiadoras

A expectativa para abril é de manutenção da pressão sobre os custos, especialmente diante da continuidade da valorização do petróleo e das incertezas envolvendo o fluxo global de fertilizantes. O Estreito de Ormuz, um dos principais corredores logísticos do mundo, segue como ponto de atenção para o mercado.

Com isso, a recuperação da rentabilidade do setor deve seguir limitada no curto prazo, mantendo o produtor atento tanto ao comportamento dos insumos quanto às oscilações do mercado internacional.

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