O cooperativismo do Rio Grande do Sul reafirmou sua posição como um dos pilares mais sólidos e dinâmicos da economia sul-riograndense. Os dados consolidados do anuário Expressão do Cooperativismo Gaúcho 2026 (ano-base 2025), lançado oficialmente pelo Sistema Ocergs, revelam que as cooperativas do estado movimentaram um faturamento recorde de R$ 103 bilhões no acumulado de 2025. O montante representa uma expansão robusta de 10% em comparação ao ciclo anterior e eleva a participação do setor para aproximadamente 14% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho.
Além do avanço expressivo na receita global, o balanço contábil do setor apurou R$ 6,2 bilhões em sobras líquidas — o equivalente ao lucro nas empresas mercantis —, o que significa um salto de 24% frente ao balanço de 2024. De acordo com a análise técnica do presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann, os indicadores macroeconômicos de 2025 chancelam a alta resiliência e a capacidade do modelo societário de gerar valor sistêmico e distribuição de riqueza, mesmo quando submetido a cenários operacionais adversos e de severa volatilidade climática no campo.
Capilaridade territorial e a força do cooperativismo de crédito e agro
A relevância social do setor é medida pela sua expressiva base de associados e capacidade de retenção de mão de obra. Em 2025, o quadro de cooperados ativos no Rio Grande do Sul atingiu a marca de 4,4 milhões de pessoas, abrangendo mais de um terço da população total do estado. No front trabalhista, as cooperativas sustentam 80 mil empregos diretos, operando com uma capilaridade geográfica que atinge 490 dos 497 municípios gaúchos — cobrindo 98,6% do território estadual e dinamizando cadeias produtivas inteiras no interior.
Segmentado por ramos, o setor Agropecuário manteve a liderança absoluta em geração de receita. As 94 cooperativas agrovinculadas ao Sistema Ocergs faturaram R$ 52,2 bilhões (alta de 5% sobre 2024), geraram R$ 1,6 bilhão em sobras (avanço de 39%) e lideraram o estoque de empregos com 40,8 mil postos formais. Por sua vez, o ramo Crédito despontou como o principal vetor de aceleração financeira do sistema: com 3,4 milhões de associados, o segmento movimentou R$ 33,6 bilhões em receita (salto de 21%), concentrou a maior fatia das sobras globais (R$ 3,8 bilhões) e liderou os indicadores de solidez patrimonial, com R$ 27,5 bilhões em patrimônio líquido e robustos R$ 200,8 bilhões em ativos totais.
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Rota de crescimento: A meta de R$ 150 bilhões para a próxima década
Os resultados operacionais auditados dão sustentação ao cumprimento das metas de longo prazo estabelecidas no plano estratégico RSCOOP150bi de Prosperidade, uma agenda corporativa que projeta elevar o faturamento do cooperativismo gaúcho para R$ 150 bilhões até o ano de 2030. A governança do Sistema Ocergs projeta que este crescimento sustentado será ancorado em duas frentes estruturais: a aceleração dos processos de agroindustrialização para agregação de valor às commodities e a consolidação de fusões e incorporações societárias, estratégias vitais para conferir ganho de escala, mitigar os riscos das mudanças climáticas e garantir competitividade frente aos desafios do mercado global.
No fechamento do balanço patrimonial consolidado de 2025, o sistema cooperativo gaúcho computou um patrimônio líquido de R$ 46 bilhões (crescimento de 17% ante o ano anterior) e ativos totais da ordem de R$ 248,9 bilhões, indicador que avançou 14% e atesta a liquidez e a segurança financeira do modelo de negócios no Rio Grande do Sul.
