O agronegócio sul-riograndense celebrou, neste sábado, 4, o Dia Internacional do Cooperativismo, uma data que destaca a contribuição do movimento para o desenvolvimento econômico, social e sustentável das comunidades rurais. No Rio Grande do Sul, o modelo demonstra uma força impressionante: são 4,4 milhões de pessoas associadas a alguma cooperativa, gerando 80,5 mil empregos diretos. O segmento agropecuário lidera a representatividade com 94 instituições ativas, conforme dados do relatório “Expressão do Cooperativismo Gaúcho 2026”, divulgado pela Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs). No cenário nacional, o movimento engloba 25,8 milhões de pessoas, enquanto globalmente atinge 12% da população mundial — cerca de 1 bilhão de cooperados, segundo a Aliança Cooperativa Internacional.
No ecossistema do agronegócio, as cooperativas desempenham um papel crucial ao garantir escala e competitividade aos produtores rurais. O modelo oferece condições otimizadas para a aquisição de insumos de alta performance, estruturas modernas de armazenagem, assistência técnica especializada e canais eficientes para a comercialização das safras. Essa atuação coletiva viabiliza soluções financeiras e operacionais que seriam inacessíveis individualmente. Historicamente, muitas dessas instituições surgiram para blindar o produtor em períodos de crise, premissa que deu origem à própria Cotrijal em 1957, quando 11 agricultores uniram forças para solucionar os gargalos de estocagem e venda do trigo.
Assistência técnica, inclusão familiar e grandes investimentos
Para além da comercialização de produtos, a governança da Cotrijal atua diretamente no desenvolvimento das comunidades através da transferência de tecnologia. O presidente da cooperativa, Nei César Manica, enfatiza que o verdadeiro valor do cooperativismo se manifesta nos momentos de adversidade climática ou de mercado. A assistência técnica contínua e os programas corporativos ajudam a ampliar a eficiência e a rentabilidade das propriedades. Pensando no longo prazo e na sustentabilidade do negócio, a instituição investe ativamente na capacitação de crianças, jovens e mulheres por meio dos programas Brotinho, Supernova e Mais Elas, preparando o terreno para a sucessão familiar no campo.
O vice-presidente da cooperativa, Enio Schroeder, reforça que o cooperativismo é o caminho mais seguro para ganhar escala de mercado e enfrentar as oscilações econômicas globais. Essa robustez institucional projeta a Cotrijal para o mercado internacional, tendo como vitrine a Expodireto Cotrijal — uma das maiores feiras de tecnologia agrícola da América Latina, que atrai delegações de mais de 70 países. Outro marco de crescimento é o avanço na intercooperação através da Soli3: um empreendimento conjunto com as cooperativas Cotripal e Cotrisal focado na implantação de uma moderna indústria de biodiesel em Cruz Alta (RS). Com investimento expressivo de R$ 1,25 bilhão, a iniciativa estimula o desenvolvimento regional e diversifica as fontes de receita dos cooperados. Prestes a completar 69 anos de história em setembro, a Cotrijal atende atualmente mais de 18 mil famílias associadas e conta com uma força de trabalho de 2,5 mil colaboradores em 50 municípios gaúchos.
