A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) empossou neste domingo (24) sua nova diretoria para o quadriênio 2026-2029, em uma cerimônia marcada por cobranças em defesa do agronegócio gaúcho diante das sucessivas perdas climáticas enfrentadas pelo estado nos últimos anos.
O evento, realizado na sede da entidade em Porto Alegre, coincidiu com os 99 anos de fundação da federação e reuniu autoridades estaduais, parlamentares ligados ao agro, representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e lideranças de 136 sindicatos rurais associados.
O engenheiro agrônomo e produtor rural Domingos Antônio Velho Lopes assumiu oficialmente a presidência da entidade após ter sido eleito em outubro de 2025 com apoio de 120 dos 123 sindicatos participantes da eleição. Ele se torna o 25º presidente da história da Farsul.
Agro gaúcho pressiona por apoio financeiro
A posse ocorreu em um momento de forte pressão econômica sobre a agropecuária do Sul do país, especialmente após uma sequência de estiagens severas e enchentes históricas que afetaram a produção rural gaúcha.
Em seu discurso, Domingos Velho Lopes afirmou que a Farsul seguirá atuando como uma “voz firme” na defesa do produtor rural e destacou segurança jurídica e direito de propriedade como princípios centrais da gestão.
Porto Alegre sedia evento mundial de agricultura de precisão
CNA participa de evento para mulheres do agro em Mato Grosso
ACNB abre etapa Ouro do Ranking Nacional Nelore em Rio Verde
Segundo ele, a entidade pretende equilibrar tradição e modernização em um cenário de desafios crescentes para o setor produtivo.
As dificuldades financeiras do agro também dominaram os discursos das lideranças presentes. O ex-presidente da Farsul, Gedeão Silveira Pereira, criticou o impacto das altas taxas de juros sobre os produtores rurais e voltou a defender mecanismos de securitização das dívidas agrícolas.
A pauta ganhou ainda mais força com a referência ao Projeto de Lei 5122, que tramita no Congresso Nacional e busca criar alternativas para renegociação de passivos de produtores afetados pelas crises climáticas no Rio Grande do Sul.
Fundo para o Sul entra no debate
Representando o governo estadual, o vice-governador Gabriel Souza defendeu a criação de um Fundo Constitucional para a Região Sul, nos moldes dos já existentes para Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Segundo ele, o Rio Grande do Sul se tornou uma das regiões brasileiras mais impactadas pelas mudanças climáticas, acumulando cinco estiagens severas nas últimas seis safras de verão.
O governo gaúcho também reforçou o compromisso de combater invasões de propriedades rurais e informou que sete tentativas de ocupação foram evitadas recentemente por meio de ações preventivas da Brigada Militar.
Tecnologia e infraestrutura no radar
Apesar do tom político e econômico predominante, a cerimônia também destacou investimentos em qualificação técnica e infraestrutura para o agro gaúcho.
Entre os projetos citados está o Centro de Formação Profissional Rural do Senar em Hulha Negra, voltado à capacitação de operadores de máquinas agrícolas de alta tecnologia e drones.
O governo estadual ainda anunciou o início da extração de fosfato em Lavras do Sul a partir de junho, além do avanço de projetos ligados à mineração de areia no Lago Guaíba, iniciativa que também deve contribuir para o desassoreamento de canais hídricos.
A cerimônia foi encerrada com homenagens aos 99 anos da entidade e marcou o início das mobilizações para o centenário da Farsul, que será celebrado em maio de 2027.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
