Preço do leite cai 9% e aperta margens na atividade no RS

Índice da Farsul registra deflação de 0,72% nos custos de maio, mas recuo no preço do leite pago ao produtor anula alívio no campo
Preço do leite cai 9% e aperta margens na atividade no RS
Encantamento com custos mais baixos esbarra na desvalorização do produto final recebido pelo pecuarista de leite nas plataformas de laticínios.
Foto do autor Fernando Teixeira
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A estrutura de custos da pecuária de leite no Rio Grande do Sul operou em terreno negativo no fechamento do último mês. Segundo o relatório macroeconômico da Assessoria Econômica da Farsul, o Índice de Inflação para a Produção de Leite Cru (ILC) registrou uma deflação de 0,72% em maio de 2026. O indicador mensal traz um respiro operacional momentâneo para o caixa do produtor gaúcho, impulsionado diretamente pela estabilização da taxa de câmbio e pelo arrefecimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que resultaram na descompressão dos preços internacionais do barril de petróleo e, consequentemente, do óleo diesel na ponta.

A queda nos preços dos combustíveis e a perda de fôlego dos fertilizantes minerais foram os principais catalisadores do índice negativo. No segmento de nutrição animal, os componentes de grãos operaram de forma mista: a saca de milho registrou um avanço tímido de 0,2%, variação que acabou totalmente compensada pelo tombo de 2,8% nas cotações da soja. Pelo lado das altas, a energia elétrica foi o principal gargalo, disparando 6,2% no mês devido ao acionamento de bandeiras tarifárias mais onerosas, acompanhada pelo sal mineral (+2,4%), pressionado por gargalos logísticos globais na importação de ácido fosfórico vindo do Marrocos. No acumulado anual, o ILC sustenta alta de 0,33%, enquanto o balanço dos últimos 12 meses exibe retração de 0,8%.



Margens esmagadas na comercialização

Apesar do recuo nos indicadores de insumos, a realidade de mercado da porteira para fora anula os ganhos operacionais. O diagnóstico técnico da Farsul sinaliza uma assimetria severa e preocupante na cadeia de comercialização: enquanto o indexador de custos recuou de forma sutil, o preço médio do leite cru pago ao produtor derreteu cerca de 9% no período. O tombo contrasta fortemente com o comportamento do varejo, já que o IPCA de Leite e Derivados (que mede o preço na gôndola para o consumidor final) acumulou uma inflação de 3,3%.

Essa desconexão entre o preço de balcão do supermercado e o valor repassado ao pecuarista provoca um severo esmagamento das margens líquidas e deteriora a relação de troca nas fazendas. Para as projeções do ILC de junho de 2026, a assessoria econômica projeta o retorno de uma inflação moderada nos custos. Embora o petróleo continue cooperando para segurar o preço dos combustíveis, a volatilidade do dólar no curto prazo e a tendência de valorização sazonal dos grãos no mercado físico devem voltar a pressionar o custo da alimentação no cocho.

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