Preço do arroz sobe com oferta restrita, mas margem segue no vermelho

Mesmo com indústrias comprando e avanço das exportações, rentabilidade do produtor segue estrangulada e setor exige renegociação além do Plano Safra
Preço do arroz sobe com oferta restrita, mas margem segue no vermelho
Orizicultores defendem que apenas a liberação de novos créditos oficiais não resolve a crise financeira gerada pelas safras anteriores
Foto do autor Cássia Lombardi
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A baixa disponibilidade de arroz em casca no Rio Grande do Sul segue funcionando como o principal suporte para os preços no mercado físico brasileiro. De acordo com o mais recente levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a restrição na oferta mantém as cotações firmes. Do lado comprador, as indústrias domésticas demonstram necessidade contínua de reposição de estoques, movimento que coincide com o aumento do interesse do mercado externo pelo grão nacional.

No entanto, o indicador de preços elevados cria uma falsa sensação de bonança. Pesquisadores do Cepea alertam que os patamares atuais de negociação permanecem insuficientes para recompor a rentabilidade real da atividade. O descompasso entre o preço de venda e o custo de produção acumulado mantém acesa a preocupação com o endividamento crônico dos produtores rurais gaúchos.



Crédito novo não resolve o passivo

Diante desse cenário de estrangulamento financeiro, representantes da cadeia orizicultora intensificaram a pressão política. Segundo o Cepea, lideranças do setor defenderam publicamente que os recursos anunciados pelo novo Plano Safra sejam obrigatoriamente vinculados a medidas profundas de renegociação de dívidas ativas.

O argumento técnico do setor produtivo é que a simples ampliação regulatória da oferta de crédito rural, isoladamente, não possui eficácia para restabelecer a capacidade de pagamento das fazendas. Sem o alongamento dos passivos e a revisão de juros de safras passadas, o dinheiro novo liberado pelos bancos acaba retido para cobrir rombos antigos, deixando o produtor sem capital de giro para a implantação e condução do próximo ciclo.

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