A baixa disponibilidade de arroz em casca no Rio Grande do Sul segue funcionando como o principal suporte para os preços no mercado físico brasileiro. De acordo com o mais recente levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a restrição na oferta mantém as cotações firmes. Do lado comprador, as indústrias domésticas demonstram necessidade contínua de reposição de estoques, movimento que coincide com o aumento do interesse do mercado externo pelo grão nacional.
No entanto, o indicador de preços elevados cria uma falsa sensação de bonança. Pesquisadores do Cepea alertam que os patamares atuais de negociação permanecem insuficientes para recompor a rentabilidade real da atividade. O descompasso entre o preço de venda e o custo de produção acumulado mantém acesa a preocupação com o endividamento crônico dos produtores rurais gaúchos.
Crédito novo não resolve o passivo
Diante desse cenário de estrangulamento financeiro, representantes da cadeia orizicultora intensificaram a pressão política. Segundo o Cepea, lideranças do setor defenderam publicamente que os recursos anunciados pelo novo Plano Safra sejam obrigatoriamente vinculados a medidas profundas de renegociação de dívidas ativas.
O argumento técnico do setor produtivo é que a simples ampliação regulatória da oferta de crédito rural, isoladamente, não possui eficácia para restabelecer a capacidade de pagamento das fazendas. Sem o alongamento dos passivos e a revisão de juros de safras passadas, o dinheiro novo liberado pelos bancos acaba retido para cobrir rombos antigos, deixando o produtor sem capital de giro para a implantação e condução do próximo ciclo.
