A largada da safra de soja 2026/2027 em Mato Grosso do Sul, marcada para setembro, exigirá precisão cirúrgica dos produtores rurais. A abertura da janela de semeadura vai ocorrer sob a influência direta do fenômeno El Niño, que já teve sua formação confirmada e apresenta tendência de intensificação ao longo do segundo semestre.
De acordo com o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul), o trimestre de agosto, setembro e outubro deve registrar chuvas ligeiramente acima da média. No entanto, o grande desafio não será o volume total de água, mas sim as temperaturas persistentemente elevadas e a alta probabilidade de ondas de calor extremo, fatores que aceleram a evaporação e podem secar o solo rapidamente.
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A armadilha do "pó" e a janela ideal
Agosto e a primeira metade de setembro marcam a transição da seca para as águas. Plantar no seco ou logo após as primeiras chuvas isoladas — o chamado "plantio no pó" — torna-se uma operação de altíssimo risco sob o El Niño. A soja necessita de umidade constante para germinar de forma uniforme. O calor excessivo associado a veranicos iniciais pode causar falhas graves no estande de plantas, forçando o produtor a arcar com os custos amargos do replantio.
Apesar do alerta, as previsões para setembro e outubro desenham um cenário mais promissor do que o registrado na safra passada, especialmente no sul, centro e leste do estado. Se as chuvas se regularizarem rapidamente, os produtores que possuem solos estruturados conseguirão realizar uma implantação antecipada com segurança.
No estado, onde predominam sementes com ciclos curtos e médios de 90 a 120 dias, conseguir plantar entre o fim de setembro e o início de outubro traz três grandes vantagens econômicas:
Clima a favor: As fases mais críticas da cultura (florescimento e enchimento de grãos) coincidirão com os meses de maior fartura de chuva.
Escape de doenças: Lavouras estabelecidas mais cedo enfrentam menor pressão de ferrugem-asiática, reduzindo o número de aplicações de fungicidas.
Janela de ouro para o milho: Garante-se o plantio do milho safrinha de 2027 dentro do período ideal, minimizando os riscos de geada ou seca no ano seguinte.
A palhada como escudo contra o calor
Em anos de clima instável, a diferença entre o lucro e o prejuízo costuma estar na física do solo. Áreas conduzidas sob plantio direto, com rotação de culturas e boa cobertura de palhada, conseguem reter a água da chuva por muito mais tempo e mantêm a temperatura do solo mais baixa.
Conforme aponta a coordenação técnica da Aprosoja/MS, o manejo conservacionista funciona como um seguro térmico. Além da conservação da água, o calor extremo do trimestre acende outro alerta crítico para as fazendas: o risco de incêndios florestais e agrícolas durante a preparação das áreas e tráfego de maquinários.
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