O faturamento da atividade agropecuária dentro das propriedades rurais do Paraná registrou uma expansão histórica, consolidando o setor como a principal engrenagem de tração da economia estadual. De acordo com os dados preliminares do Valor Bruto da Produção (VBP) apurados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a receita bruta do campo paranaense mais do que dobrou em um intervalo de seis anos. O indicador saltou de R$ 98 bilhões no balanço para fechar o ciclo com o montante de R$ 212,6 bilhões, traduzindo um crescimento nominal de 117% no período analisado.
O índice, que monitora o desempenho financeiro de aproximadamente 350 produtos entre grãos, proteínas, hortifrúti e produtos florestais, reflete a maturidade técnica do produtor local. Segundo o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Natalino Avance de Souza, os números comprovam a resiliência e a competitividade do ecossistema de cooperativas e produtores rurais paranaenses, que conseguiram blindar o faturamento mesmo enfrentando janelas de severidade climática e forte volatilidade de preços nas bolsas internacionais. A evolução cronológica do Deral revela que o estado rompeu a barreira dos R$ 100 bilhões, escalou e estabeleceu-se de forma consolidada acima da marca dos R$ 200 bilhões.
Pecuária na liderança, força da soja e os reflexos no PIB e nos Portos
O detalhamento dos macrossetores da economia rural aponta que a pecuária foi o grande motor dessa arrancada financeira, expandindo seu faturamento nominal em 129% e passando a representar 53% de todo o VBP do estado. O grande destaque ficou por conta da avicultura de corte, segunda maior atividade econômica paranaense, que faturou R$ 35,5 bilhões. A bovinocultura de leite ultrapassou a marca de 4,7 bilhões de litros produzidos, enquanto a recria e engorda de gado de corte movimentou R$ 7,1 bilhões.
A divisão agrícola não ficou para trás e cresceu 103%, gerando R$ 91,2 bilhões, impulsionada pela recomposição de produtividade da safra. A soja em grão manteve-se isolada como o principal produto individual do Paraná, injetando R$ 42,3 bilhões na receita do estado, seguida de perto pelo milho, que totalizou R$ 19,1 bilhões com uma colheita combinada de 21 milhões de toneladas. No segmento de base florestal (madeira, papel e celulose), o faturamento atingiu R$ 9,7 bilhões.
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Todo esse vigor da porteira para fora empurrou os indicadores macroeconômicos do estado para cima. Conforme dados do Ipardes, o PIB do Paraná cresceu 2,8%, superando a média nacional de 2,3%. No setor primário, o crescimento paranaense atingiu expressivos 13,1%. O reflexo logístico dessa superprodução congestionou positivamente os Portos do Paraná, que registraram a maior movimentação de cargas de sua história, atingindo 73,5 milhões de toneladas e liderando o ritmo de crescimento de eficiência portuária em todo o território nacional.
