O seguro rural vem perdendo espaço no Paraná em meio ao aumento dos custos, cortes na subvenção federal e maior insegurança climática no campo. Dados do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), do Ministério da Agricultura, mostram que o número de apólices contratadas no Estado caiu de 82 mil em 2021 para 26 mil em 2025, uma retração de 68,3% em quatro anos.
A redução também aparece na arrecadação do setor. Informações da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNseg) apontam queda de 17% no Paraná entre 2022 e 2025, passando de R$ 2,3 bilhões para R$ 1,9 bilhão.
Na prática, o cenário vem afastando produtores da proteção contra perdas climáticas justamente em um período marcado por estiagens frequentes, geadas e instabilidade na produção agrícola.
Área segurada também encolheu
Além da queda nas apólices, a área agrícola protegida pelo seguro rural também diminuiu de forma expressiva no Paraná. Em 2021, o Estado possuía mais de 3,8 milhões de hectares segurados. Em 2025, esse número caiu para 1,25 milhão de hectares, redução de 63,8%.
Mesmo liderando historicamente a contratação de seguro rural no país, o Paraná acompanha um movimento nacional de retração da ferramenta. Dados da CNseg mostram que a área segurada no Brasil caiu de 13,7 milhões para 3,2 milhões de hectares entre 2021 e 2025.
Para produtores, a diminuição da cobertura aumenta o risco financeiro nas propriedades rurais. Sem seguro, perdas provocadas por clima extremo podem comprometer máquinas, patrimônio e até a continuidade da atividade agrícola.
Clima e custos aumentam pressão no campo
Outro fator que preocupa agricultores é a redução dos recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. Em 2025, cerca de 42% do orçamento previsto para o programa foi bloqueado. Já em 2024, a execução ficou aproximadamente 40% abaixo do valor aprovado pelo Congresso.
Segundo produtores, sem apoio público o seguro deixa de ser economicamente viável, principalmente em culturas como soja e milho, mais expostas às oscilações climáticas.
O avanço das mudanças climáticas e a frequência maior de perdas no campo aumentam a preocupação do setor com a redução da cobertura agrícola no Paraná e no restante do país.
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