Carne bovina e frango enfrentam cenários distintos no Paraná
Boletim aponta avanço das exportações de carne bovina no quadrimestre, enquanto custos elevados reduzem margem da avicultura paranaense
O Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), destacou cenários distintos para os setores de carne bovina e frango no Paraná. Enquanto a pecuária de corte registrou avanço nas exportações nacionais de carne bovina, a avicultura segue pressionada pelo aumento dos custos de produção, principalmente devido à alta do milho e do farelo de soja utilizados na alimentação animal.
Na bovinocultura de corte, as exportações brasileiras de carne bovina cresceram 15% no acumulado do quadrimestre, refletindo a demanda internacional aquecida pelo produto brasileiro. Apesar do desempenho positivo no mercado externo, a maior oferta interna de animais para abate acabou pressionando as cotações da arroba.
Segundo o boletim, a arroba do boi gordo apresentou queda de 2,72% no mês, sendo negociada na média de R$ 343,00 no Paraná. O documento também chama atenção para os efeitos do clima mais frio sobre as pastagens, situação que pode gerar impactos adicionais sobre os custos de produção e influenciar a formação dos preços nas próximas semanas.
Já na avicultura, o cenário segue mais desafiador para o produtor. Em abril, o preço nominal médio pago pelo frango vivo ficou em R$ 4,62 por quilo, abaixo do custo médio de produção estimado em R$ 4,70/kg.
De acordo com o levantamento do Deral, a pressão financeira sobre a atividade está diretamente relacionada ao aumento recente dos custos dos principais insumos utilizados na nutrição animal. O milho no atacado foi cotado a R$ 63,58 por saca de 60 quilos, enquanto o farelo de soja atingiu R$ 1.885,50 por tonelada.
O cenário reforça a preocupação do setor avícola com as margens de rentabilidade, já que o custo da alimentação representa a maior parte das despesas da atividade. Ao mesmo tempo, o mercado acompanha os desdobramentos climáticos e a evolução das cotações dos grãos, fatores que podem influenciar diretamente o comportamento dos custos nas próximas semanas.
Comentários
