O Porto de Santos reuniu nesta semana as principais lideranças do setor na segunda edição do Cotton Day. O encontro congregou produtores, exportadores, tradings e operadores portuários para debater o maior desafio atual da fibra brasileira: a infraestrutura logística e o escoamento no comércio exterior. O debate ocorre em uma janela crucial para o mercado, impulsionado pelo recorde histórico nas exportações de maio, que ultrapassaram 291 mil toneladas, somando mais de 3,1 milhões de toneladas embarcadas na temporada.
Paralelamente, os relatórios mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam para estoques globais de algodão mais apertados. Esse cenário coloca o Brasil em posição de fornecedor estratégico para a indústria têxtil mundial, transferindo o foco do sucesso da porteira para dentro diretamente para a eficiência dos embarques e a disponibilidade de contêineres nos terminais.
A dependência do canal santista
Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) revelam o tamanho do desafio: o porto paulista centraliza atualmente cerca de 95% de todo o volume de algodão exportado pelo país. Essa extrema concentração geográfica acende o alerta para fatores como capacidade portuária, burocracia fitossanitária e previsibilidade nas escalas dos navios.
Para mitigar esses gargalos, as discussões do Cotton Day destacaram o avanço do programa ABR-LOG, uma certificação socioambiental voltada para os terminais retroportuários. A iniciativa monitora indicadores operacionais e cria metas de qualidade para o escoamento, garantindo que o produto chegue ao destino internacional com a mesma integridade com que saiu das lavouras. De acordo com o diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, a competitividade brasileira no mercado internacional dependerá cada vez mais da capacidade de entregar volume e previsibilidade.