O mercado global de cacau enfrenta uma significativa redução na oferta das amêndoas, o que resultou em uma alta acentuada nos preços internacionais da commodity nos anos de 2024 e 2025. Costa do Marfim e Gana, os maiores produtores de cacau do mundo, continuam lidando com dificuldades que não têm uma resolução imediata. Problemas como eventos climáticos extremos, o aumento das lavouras afetadas pelo vírus CSSV (Cacao Swollen Shoot Virus), e a presença de lavouras envelhecidas e com baixa produtividade são alguns dos fatores que estão por trás dessa escassez, segundo um relatório da Hedgepoint Global Markets.
Com a redução da oferta nessas principais regiões produtoras, o mercado de cacau passou a buscar mais atenção em outras origens de amêndoas. "Países como Equador e Nigéria, que atualmente ocupam o terceiro e quarto lugar no ranking mundial de produtores, respectivamente, começaram a investir tanto na produção quanto no aumento da capacidade de processamento, aproveitando as oportunidades de mercado e os preços atrativos da commodity", afirma Carolina França, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets.
Qualidade da laranja limita ritmo de compras da indústria
Pernambuco bate recorde histórico na exportação de frutas em 2026
Exportações de suco de laranja crescem, mas receita cai 27%
O Brasil, que na safra 2023/2024 foi o sexto maior produtor mundial de cacau, já teve um papel de destaque no setor, sendo um dos maiores produtores e exportadores de amêndoas. No entanto, a produção do país foi fortemente afetada pela disseminação da doença "Vassoura-de-bruxa" nas principais regiões produtoras. "Desde então, o Brasil tem se empenhado em diversas pesquisas e projetos para recuperar sua posição no mercado global de cacau, o que resultou na recuperação das lavouras nos últimos anos", explica Carolina.
Além do foco na produção, o Brasil também tem investido consideravelmente no processamento de cacau. Atualmente, o país possui uma capacidade de processamento superior a 300 mil toneladas — quantidade maior que a produção interna de cacau. Como resultado, o Brasil importa amêndoas de outros países produtores para suprir a demanda local. Em 2025, as importações líquidas totais de cacau (considerando amêndoas, pasta, manteiga e pó) aumentaram 62% em relação ao mesmo período do ano anterior.
"A maior parte das importações de cacau no Brasil, considerando os últimos anos, se refere às amêndoas. No entanto, o cacau em pó e a manteiga, que possuem maior valor agregado, são os principais produtos exportados, com destaque para a Argentina, consolidando o Brasil como um grande processador de cacau", comenta a analista.
Carolina também destaca que, recentemente, vários projetos têm se concentrado na expansão das áreas de plantio de cacau nas regiões Sudeste, Norte e Nordeste do Brasil. Entre esses projetos, está a maior fazenda de cacau do mundo, que usa tecnologia de ponta e clones de alto desempenho agronômico. "A combinação dessa expansão com a capacidade de processamento já existente coloca o Brasil em uma excelente posição para aproveitar as oportunidades no mercado de cacau nos próximos anos. O objetivo é superar 400 mil toneladas de produção até 2030", conclui.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
