O Brasil vai sediar pela primeira vez o Fórum de Agricultura Regenerativa, considerado um dos principais encontros globais voltados à transformação sustentável dos sistemas agrícolas e alimentares. O evento será realizado em 23 de junho, em Piracicaba (SP), reunindo produtores rurais, cientistas, investidores, lideranças empresariais e formuladores de políticas públicas.
Promovido pelo Global Landscapes Forum (GLF), pela Sustainable Agriculture Network (SAN), pelo Imaflora e pelo CABI BioProtection Portal, o encontro terá como tema “Acelerando a Transição” e colocará o país no centro das discussões internacionais sobre práticas regenerativas no campo.
A proposta do fórum é debater soluções ligadas à recuperação de solos, preservação da biodiversidade, segurança hídrica, produtividade sustentável e adaptação às mudanças climáticas, temas que ganham ainda mais relevância diante dos desafios climáticos previstos para os próximos anos.
Segundo os organizadores, a escolha do Brasil como sede reflete a importância estratégica do país para o futuro da agricultura sustentável global. Piracicaba foi definida como palco do evento por sua tradição em pesquisa agrícola, inovação tecnológica e desenvolvimento científico ligado ao agronegócio.
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A agricultura regenerativa vem ganhando espaço nas discussões do setor por combinar produtividade com práticas voltadas à conservação ambiental e recuperação da capacidade produtiva dos solos.
Entre os temas previstos na programação estão bioinsumos, agroflorestas, financiamento sustentável, inovação tecnológica, inclusão social e cadeias de valor ligadas à sustentabilidade no agro.
O evento também prevê experiências imersivas em áreas experimentais, debates sobre liderança feminina no campo e a elaboração de um manifesto internacional voltado à aceleração da transição para sistemas produtivos mais resilientes.
Clima e produção entram no debate
As discussões acontecem em um momento de maior preocupação global com os impactos climáticos sobre a agricultura. A expectativa de ocorrência de um Super El Niño em 2026 aumenta a atenção sobre possíveis efeitos em culturas como arroz, açúcar e cacau, especialmente em países latino-americanos fortemente dependentes da produção agropecuária.
Segundo Isabel Mesquita, coordenadora regional do GLF para América Latina e Caribe, a agricultura regenerativa surge como alternativa para fortalecer os sistemas alimentares e reduzir impactos ambientais provocados por modelos convencionais de produção.
O fórum contará com participação de especialistas internacionais ligados à pesquisa, sustentabilidade, economia e inovação agrícola, além de representantes de organizações globais e instituições de ensino.
Brasil busca protagonismo sustentável
Na avaliação dos organizadores, sediar o evento reforça o protagonismo brasileiro em debates ligados à sustentabilidade no campo e à construção de modelos produtivos mais resilientes.
A expectativa é que o encontro ajude a aproximar ciência, mercado e produtores rurais em torno de estratégias voltadas à recuperação ambiental, aumento da produtividade e segurança alimentar.
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