Levantamento da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), com dados de mais de 100 corretoras associadas em diferentes regiões do país, mostrou movimentos opostos nos mercados de feijão e café durante maio. Enquanto o feijão registrou forte valorização, o café apresentou quedas expressivas em importantes regiões produtoras.
No mercado do feijão, as altas acumuladas no mês variaram entre 22% no Oeste da Bahia e 37% no Porto de Paranaguá (PR), onde a saca de 60 quilos do feijão-preto disponível foi estimada em R$ 228,00.
Entressafra e clima impulsionam o feijão
Segundo o Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), o feijão-carioca atravessa um período de entressafra, enquanto o abastecimento de feijão-preto depende da importação do produto argentino para complementar os estoques nacionais.
De acordo com o presidente do Ibrafe, Marcelo Eduardo Lüders, a combinação entre oferta limitada e problemas climáticos em importantes regiões produtoras ajudou a impulsionar as cotações.
A seca registrada em estados como Goiás e Minas Gerais, além das geadas ocorridas no Paraná, contribuiu para o movimento de valorização observado ao longo do mês.
Apesar disso, a expectativa do setor é de que os preços percam força no segundo semestre. Conforme avalia Lüders, a entrada da terceira safra do feijão-carioca, prevista para as próximas semanas, deverá ampliar a oferta e favorecer a redução das cotações.
Café sente efeito da safra recorde
Na direção oposta, o mercado de café registrou quedas expressivas em maio. Em Guaxupé (MG), uma das principais referências da cafeicultura nacional, o preço da saca de 60 quilos do café arábica caiu mais de 15% no acumulado do mês, sendo negociado a R$ 1.568,00.
Em Franca (SP), outra importante região produtora, a desvalorização também se aproximou de 15%, com a saca cotada a R$ 1.570,00.
Produção maior amplia oferta
A principal razão para a queda dos preços é o aumento da oferta disponível no mercado, impulsionado pelo início da colheita e pela expectativa de uma safra histórica.
De acordo com o segundo levantamento da safra de café divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de café na temporada 2026/27 está estimada em 66,7 milhões de sacas.
O volume representa um crescimento de 18% em comparação com a safra anterior e configura um novo recorde para a cafeicultura brasileira, reforçando a pressão sobre as cotações do grão.
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