Movimento de negócios é contido, mas arroba do boi gordo volta a subir

Fundamentos sólidos sustentam os preços diante da isenção tarifária dos EUA e do embate entre pecuaristas e frigoríficos sobre restrições sanitárias
Movimento de negócios é contido, mas arroba do boi gordo volta a subir
Escalas de abate curtas e demanda externa aquecida dão tração à arroba do boi gordo no mercado físico nacional.
Foto do autor Fabiano Reis
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Um movimento estratégico reconfigura a cadeia produtiva da pecuária de corte brasileira. Os fundamentos para a manutenção e o avanço dos preços da arroba do boi gordo mostram-se sólidos, sobrepondo-se no mercado até mesmo ao encerramento da cota de exportação de carne bovina para a China. No cenário internacional, o governo dos Estados Unidos confirmou a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas manteve uma extensa lista de exceções que poupou setores estratégicos do agronegócio, incluindo o café, a celulose e a própria carne bovina. Simultaneamente, o mercado interno enfrenta tensões regulatórias: as indústrias frigoríficas defendem uma política restritiva única para o uso de antimicrobianos na pecuária nacional, proposta que colide diretamente com os interesses econômicos dos pecuaristas.

A divergência sobre os antimicrobianos expõe uma complexidade comercial arrastada nos últimos anos. O impasse ganhou força quando a União Europeia sinalizou a rejeição à carne de animais tratados com esses medicamentos, desconsiderando as contraprovas de controle enviadas pelo Brasil. Em resposta, a indústria frigorífica nacional indicou a intenção de internalizar essa exigência europeia, transformando-a em uma restrição válida para todo o território nacional. Contudo, os frigoríficos não se dispuseram a absorver a consequente elevação dos custos de produção, tampouco a indenizar o custo de oportunidade perdida pelos pecuaristas. Diante do impacto financeiro estimado, 15 instituições de representação nacional assinaram um manifesto conjunto contrário à medida.



No plano externo, a confirmação da sobretaxa de 25% pela gestão de Donald Trump não trouxe surpresas ao setor produtivo, que já trabalhava com a consolidação dessa barreira. A preservação da carne bovina na lista de isenções assegura o fluxo comercial. Embora autoridades norte-americanas tenham alegado publicamente uma suposta falta de disposição do Brasil para o diálogo, os registros técnicos apontam o oposto: ocorreram 32 tentativas formais de negociação bilaterais que esbarraram em impasses intransigíveis. Entre as exigências de Washington estavam a desarticulação do sistema PIX, o aumento da participação do etanol americano no mercado brasileiro — com prejuízos diretos à indústria nacional — e a isenção tributária para plataformas digitais dos EUA. O foco da diplomacia corporativa agora se volta para evitar que o governo brasileiro adote medidas retaliatórias que onerem insumos importados e prejudiquem a economia interna.

No fechamento do mercado físico, o boi gordo demonstrou estabilidade com viés de alta nas principais praças pecuárias brasileiras, operando com escalas de abate significativamente encurtadas. Embora o mercado atacadista de carne bovina venha registrando recuos pontuais nos preços, o movimento ainda não foi suficiente para reduzir de forma expressiva os estoques nas câmaras frias da indústria. A tendência de médio prazo aponta para uma redução gradativa desses estoques operacionais. A combinação de estoques baixos com escalas de abate restritas cria um ambiente técnico propício para novas pressões de alta, tornando a projeção de valores próximos a R$ 400 por arroba um cenário perfeitamente viável no horizonte do mercado.

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