A cafeicultura de alta qualidade do Brasil consolidou uma posição de destaque no mercado internacional após uma série de missões comerciais estratégicas no continente europeu. De acordo com o balanço consolidado pelo projeto setorial "Brazil. The Coffee Nation", desenvolvido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), uma comitiva de 77 empresários brasileiros participou de rodadas de negócios na Inglaterra e na Bélgica. As ações resultaram em 1.145 contatos comerciais — sendo 649 com novos clientes —, movimentando de forma imediata US$ 33,1 milhões em contratos presenciais, com projeção de alcançar mais US$ 218,9 milhões nos próximos 12 meses, somando um potencial de US$ 252 milhões em novos negócios.
A agenda internacional incluiu visitas técnicas a grandes torrefações e corretoras europeias em Londres, Bruxelas e Antuérpia, culminando com a participação institucional na World of Coffee Brussels, uma das principais feiras globais do segmento. O estande brasileiro contou com estruturas de brew bar e salas de cupping (degustação) para apresentar a diversidade sensorial dos grãos nacionais, com destaque para os lotes do projeto "Produzido por Elas", focado no protagonismo feminino e na equidade de gênero no campo. O diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, ressalta que a Europa se mantém como o principal parceiro comercial do segmento de cafés especiais brasileiros, e que as ações focam na expansão e consolidação do país em um mercado maduro e altamente exigente.
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Além do forte desempenho comercial, a atuação institucional na Europa garantiu um avanço estrutural para a capacitação profissional do setor. A BSCA assinou um Memorando de Entendimento com o Coffee Quality Institute (CQI) que transforma a associação na provedora e representante única e exclusiva da renomada instituição de educação internacional no território brasileiro. O CEO do CQI, Michael Sheridan, e o presidente da BSCA, Luiz Roberto Saldanha, destacaram que o acordo permitirá descentralizar e democratizar o acesso a treinamentos técnicos de excelência global, traduzindo cursos para o português e formando novos instrutores certificados para elevar o padrão de processamento pós-colheita em diferentes regiões produtoras do país, independentemente do porte do cafeicultor.
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O pavilhão brasileiro na feira de Bruxelas também ganhou visibilidade com o desempenho das delegações nacionais nos Campeonatos Mundiais de Barismo. No Mundial de Brewers Cup (café filtrado), a gerente técnica da BSCA, Carolina Franco, atuou como juíza nas fases eliminatórias e finais, enquanto a campeã brasileira Juliana Morgado surpreendeu o corpo de jurados internacionais ao apresentar uma performance focada na inovação das mulheres e na complexidade do café 100% brasileiro.
Nas demais arenas, o jovem Fábio Milan, de apenas 21 anos, defendeu as cores do país no Mundial de Torra ao demonstrar a aplicação de tecnologia científica no controle térmico dos grãos. Já no Mundial de Coffee in Good Spirits (CIGS), que avalia coquetelaria com café, o barista Léo Oliva representou a cultura nacional ao criar um drinque inspirado nas festividades brasileiras, servindo uma releitura de quentão à base de café especial. As iniciativas fazem parte do planejamento estratégico do projeto setorial da BSCA, que possui vigência até agosto de 2027 e foca na promoção comercial e na ampliação do market share das variedades arábica e canéfora (conilon e robusta) em mercados de alto valor agregado.
