As plantas de cobertura, consideradas um dos pilares fundamentais do Sistema Plantio Direto (SPD), reafirmam sua posição como uma das ferramentas mais eficazes da agricultura tropical para a mitigação das mudanças climáticas. Além da proteção física contra a erosão, a tecnologia atua no sequestro e armazenamento de carbono no solo, reduz a emissão de gases de efeito estufa e eleva a resiliência hídrica e produtiva das lavouras.
Os dados foram apresentados pela pesquisadora Arminda Moreira de Carvalho durante visita técnica à Embrapa Cerrados, como parte da programação do 20º Encontro Nacional do Sistema Plantio Direto e 3º Encontro Mundial do SPD, realizados em Brasília. O estado de Goiás e a região do Planalto Central figuram entre os pioneiros na consolidação dessas práticas sustentáveis.
A pesquisadora ressaltou que o avanço das pesquisas deu uma nova dimensão ao uso da cobertura vegetal frente às exigências globais por uma produção de baixo carbono. As plantas leguminosas favorecem a fixação biológica de nitrogênio, enquanto o mix de espécies estimula a microbiota do solo, otimiza a ciclagem de nutrientes e amplia a capacidade de infiltração e retenção de água. Essas dinâmicas reduzem diretamente a dependência de fertilizantes químicos sintéticos.
Desempenho no sequestro de carbono e corte de emissões
Com base em experimentos de longa duração mantidos pela Embrapa Cerrados, as avaliações mostram que o uso de plantas de cobertura em rotação com a soja reduz substancialmente as perdas de carbono orgânico do solo. Gramíneas como o sorgo e o trigo apresentaram elevado desempenho ao gerarem alta biomassa com decomposição gradual, o que favorece o acúmulo contínuo de matéria orgânica.
Lavouras de grãos no Paraná alcançam 99% de adequação ESG
Mercado de carbono regulado abre oportunidades para o agronegócio
O estudo também mediu a redução do óxido nitroso (N2O), gás que possui potencial de aquecimento global cerca de 300 vezes superior ao dióxido de carbono (CO2). Após quatro anos de monitoramento contínuo em lavouras de milho, a equipe científica constatou que espécies como o feijão-guandu atuam ativamente na mitigação desse gás, devido às suas características químicas que regulam a velocidade de decomposição da matéria orgânica no solo.
O desafio do SPD pleno no Brasil
Apesar dos benefícios comprovados, a adoção integral da tecnologia ainda enfrenta gargalos operacionais no país. Dados apresentados por Rafael Fuentes, diretor da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto (FEBRAPDP), mostram que dos 70 milhões de hectares cultivados com lavouras temporárias no Brasil, 45 milhões utilizam a semeadura direta. No entanto, apenas 6,4 milhões de hectares cumprem rigorosamente os três pilares do SPD: não revolvimento do solo, cobertura permanente e rotação diversificada de culturas.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
