O AgriHub lançou oficialmente a segunda edição do Relatório de Perfil de Inovação do Produtor Rural de Mato Grosso. O estudo traça um diagnóstico robusto sobre o nível de maturidade tecnológica no campo e traz um panorama atualizado das barreiras estruturais do setor. O novo levantamento revela um dado antitético: embora quase metade dos produtores mato-grossenses (45%) já integre o grupo dos inovadores ou altamente inovadores, a digitalização dentro da porteira ainda desponta como o principal gargalo para o avanço tecnológico no estado.
Desenvolvido em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), o censo tecnológico processou mais de 82 mil pontos de dados estruturados, coletados diretamente com 1.403 produtores rurais espalhados por 75 municípios.
A metodologia do relatório é amparada por três pilares analíticos: Digitalização (que mensura a qualidade da conectividade e o uso de softwares de gestão empresarial); Adoção de Tecnologias (que avalia a abertura para testar e validar novos insumos e ferramentas); e Influência (métrica que avalia o engajamento dos operadores em sindicatos, cooperativas e redes de relacionamento setoriais).
Conectividade abaixo dos demais indicadores
A assimetria no desenvolvimento tecnológico ficou evidente no balanço dos indicadores. Enquanto os índices de Influência (41 pontos) e Adoção de Tecnologias (40 pontos) demonstraram o forte engajamento técnico e político do produtor, o Índice de Digitalização alcançou apenas 28 pontos. Esse resultado comprova que a ausência de internet de banda larga estável e de ferramentas digitais acessíveis atua como um fator limitante, travando o ritmo da transformação digital.
A gerência do AgriHub aponta que os dados desmistificam velhas crenças do mercado corporativo. O produtor rural brasileiro reconhece o valor da tecnologia e deseja inovar. O desafio central das instituições e das AgTechs agora consiste em estruturar um ecossistema que viabilize as condições financeiras, de infraestrutura e de conectividade para que a inovação ocorra de forma segura, célere e acessível.
As 5 personas do agronegócio nacional
O mapeamento estatístico segmentou os produtores rurais em cinco perfis de maturidade:
Conservadores (39,4%): Maior grupo da amostra. Entendem os benefícios da modernização, mas só investem em ferramentas amplamente consolidadas e com retorno financeiro validado por terceiros.
Pragmáticos (31%): Focados estritamente na eficiência operacional. Priorizam soluções de prateleira que entreguem ganho de produtividade direto e corte de custos operacionais.
Céticos (18,1%): Grupo que apresenta maior resistência à inserção tecnológica, postura justificada pelas severas limitações locais de infraestrutura digital e isolamento geográfico.
Visionários (9,1%): Adotantes iniciais (early adopters) que antecipam tendências de mercado, realizam testes de novos sistemas e atuam como líderes de opinião em suas regiões.
Entusiastas (2,4%): Produtores altamente digitalizados na vanguarda do setor. Utilizam agricultura de precisão avançada e transformam suas fazendas em laboratórios de experimentação científica.
Distribuição geográfica e diversidade
A pesquisa evidenciou que a inovação ocorre de forma heterogênea no território. A Região III consolidou-se como o polo tecnológico de Mato Grosso, concentrando a maior fatia de Visionários e Entusiastas — um reflexo direto de grandes propriedades integradas e operadores com elevado nível de escolaridade corporativa. As regiões V e IX também apresentaram fortes indicadores de vanguarda. Em contrapartida, a Região I registrou predominância de Céticos devido à falta de infraestrutura de rede, enquanto a Região VI concentrou mais Conservadores, perfil atrelado a áreas de minifúndios e pequenas propriedades de economia familiar.
Entre os municípios que lideram o Índice de Inovação figuram Primavera do Leste, Guiratinga, Bom Jesus do Araguaia e Sorriso. O relatório trouxe ainda um dado relevante sobre a amostragem: 59% das propriedades pesquisadas possuem menos de 50 hectares, metade do público atua na pecuária de corte ou leite, 34% na agricultura pura e 16% em sistemas integrados de agropecuária (ILP ou ILPF). O protagonismo feminino também se destacou, com mulheres operadoras respondendo por cerca de um terço dos entrevistados.