A maior parte do leite consumido e processado no Rio Grande do Sul provém de pequenas propriedades rurais. Conforme dados da Emater/RS-Ascar, 93% dos 28,9 mil pecuaristas que fornecem leite cru para indústrias, cooperativas ou agroindústrias formais pertencem à agricultura familiar. Nesse cenário, o cooperativismo exerce um papel central na manutenção da cadeia produtiva, atuando diretamente na coleta diária, no processamento, na logística de distribuição e na difusão de tecnologias no campo.
A presença das cooperativas tem sido fundamental para mitigar a retração do setor. Entre 2023 e 2025, o número de produtores de leite no estado recuou 12,3%, enquanto o plantel de vacas lactantes caiu de 769,8 mil para 742,5 mil cabeças. O presidente da CCGL, Caio Vianna, destaca que a concentração da atividade em um número menor de propriedades é uma tendência global. Por isso, a oferta de assistência técnica e inovação torna-se o único caminho para a sobrevivência do produtor.
Infraestrutura, produtividade e ganhos em qualidade
A eficiência logística e o suporte técnico têm permitido que pequenas áreas alcancem altos índices de rendimento. Na CCGL, por exemplo, que recebe 2 milhões de litros de leite diariamente por meio de 25 cooperativas filiadas, 75% dos 2,4 mil produtores vinculados são de pequeno porte. Com acompanhamento especializado, propriedades de 16 a 20 hectares chegam a produzir entre 2 mil e 3 mil litros ao dia. Além de abastecer o mercado local, essa estrutura viabiliza o escoamento da produção, visto que o Rio Grande do Sul exporta 70% do leite que produz para outros estados.
Na prática, a adoção de tecnologias simples transformou a rotina das propriedades. Casos como o do pecuarista Vanderlei Carlos Goin, de Nova Prata, ilustram esse avanço: com orientação técnica, o manejo migrou para o pastejo rotacionado por piquetes e o uso de forragens de ciclo longo, como o azevém tetraploide, dobrando a produção diária por vaca para até 32 litros. Como estímulo adicional, as indústrias mantêm programas de bonificação por qualidade. Em 2025, a CCGL distribuiu mais de R$ 30 milhões em retornos financeiros aos seus associados, fortalecendo a segurança econômica e a continuidade da agricultura familiar no campo.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
