A cadeia brasileira de lácteos avança na adoção do mercado futuro de balcão, modalidade em que os contratos são pactuados diretamente entre as partes, sem listagem em bolsa de valores, fixando preços predefinidos para liquidação em datas posteriores. O novo instrumento de hedge (ferramenta de proteção contra riscos financeiros) tem como objetivo introduzir maior previsibilidade, transparência e blindagem de margens em um setor historicamente exposto à volatilidade de preços. A consolidação deste ecossistema financeiro foi o tema central da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite, realizada nesta quinta-feira.
O desenvolvimento da ferramenta contou com a cooperação técnica da StoneX Leite Brasil, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea - Esalq/USP) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). No cenário internacional, cerca de 70% dos principais players do mercado lácteo já utilizam mecanismos de proteção futura para gerir seus fluxos de caixa.
"Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios", destaca Ágide Eduardo Meneguette, líder do setor produtivo do Paraná.
Custos de produção e a barreira da infraestrutura elétrica
Para que a estratégia de travamento de preços seja eficiente na ponta produtiva, os analistas alertam para a necessidade de um controle rigoroso dos custos operacionais da propriedade.
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"Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso. É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço", aponta Eduardo Lucacin, presidente da CT de Bovinocultura de Leite.
Além dos desafios puramente de mercado, os pecuaristas relataram entraves severos de infraestrutura que comprometem a competitividade do campo. O principal gargalo reside nas recorrentes falhas no fornecimento de energia elétrica por parte da concessionária regional, resultando em perda de matéria-prima resfriada e queima de equipamentos de ordenha. O setor atua junto a órgãos federais e ao Ministério Público para exigir a elevação da qualidade do serviço técnico e mitigar os prejuízos sistêmicos nas propriedades.
Sanidade animal e agregação de valor em sólidos
O debate técnico também priorizou o alinhamento sanitário das fazendas. A intensificação do combate à Brucelose foi classificada como condicionante para que o produto nacional atinja os padrões exigidos para a exportação. A orientação da comissão é que cada unidade produtiva acelere a realização de testes, cronogramas de vacinação e a busca por certificações oficiais de propriedades livres da patologia.
No plano comercial, a liderança setorial projeta a diversificação de receitas por meio do aproveitamento de derivados industriais, com foco no mercado de sólidos, na extração de proteína do soro (whey) e em concentrados proteicos. A estratégia busca alinhar o processamento das usinas de laticínios às novas exigências de consumo do mercado de ingredientes funcionais, elevando o valor pago pelo litro do leite via Conseleite.
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