A 26ª Abertura Estadual da Safra de Citros foi realizada na sexta-feira (29), em Montenegro, no Vale do Caí, reunindo produtores, técnicos, lideranças e representantes do setor para celebrar o início de mais um ciclo da citricultura gaúcha. O evento ocorreu na propriedade da família Kehl, na localidade de Fortaleza, e foi marcado por homenagens aos produtores e por projeções otimistas para a safra de 2026.
Anfitrião da cerimônia, o produtor Everton Kehl emocionou os participantes ao relembrar a trajetória da família na atividade. Ao lado da esposa Elisandra e dos filhos Brenda e Brian, ele destacou o trabalho desenvolvido na propriedade, que hoje conta com cerca de 3.900 pés de citros distribuídos em 7,5 hectares.
A história da família tem ligação direta com a citricultura da região. Everton é neto de João Edvino Derlam, reconhecido como o descobridor da tradicional bergamota montenegrina na década de 1940, variedade que se tornou símbolo da produção local.
Perspectiva favorável para a safra de 2026
Apesar da expectativa de uma produção menor na propriedade da família Kehl neste ano, devido ao fenômeno da alternância produtiva, o cenário para a citricultura gaúcha é considerado positivo.
A estimativa é que a produtividade das bergamotas alcance média de 17 toneladas por hectare. As variedades precoces, como Satsuma, Okitsu, Caí e Ponkan, já iniciaram a colheita em diversas áreas produtoras.
Para a laranja, a expectativa é superar os resultados registrados na safra passada, que alcançou produtividade média de 20 toneladas por hectare. O limão também apresenta perspectivas dentro da normalidade, com rendimento estimado entre 16 e 17 toneladas por hectare.
Segundo especialistas do setor, o bom desempenho esperado é resultado da combinação entre condições climáticas favoráveis e a adoção de técnicas adequadas de manejo nas propriedades.
Montenegro segue como referência na produção de bergamotas
Reconhecida nacionalmente pela produção da bergamota montenegrina, Montenegro deve manter sua posição de destaque na citricultura gaúcha. A expectativa é de que sejam colhidas cerca de 54 mil toneladas da fruta em uma área plantada de aproximadamente 3 mil hectares.
Além das bergamotas, o município deverá produzir cerca de 9 mil toneladas de laranja em 300 hectares cultivados. A produção de limão Tahiti também se destaca, com previsão de aproximadamente mil toneladas em uma área de 40 hectares.
Citricultura fortalece desenvolvimento rural
Durante a cerimônia, representantes do setor destacaram a importância da citricultura para a geração de renda, desenvolvimento regional e permanência das famílias no campo.
O presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, ressaltou que os programas de assistência técnica e extensão rural desenvolvidos no estado têm contribuído para fortalecer a atividade e ampliar as oportunidades para os produtores.
Segundo ele, a citricultura gaúcha desempenha papel importante não apenas na economia rural, mas também na sucessão familiar, no protagonismo das mulheres no campo e na produção de alimentos de qualidade.
O evento contou ainda com a participação de autoridades estaduais, representantes de entidades do setor, parlamentares e lideranças regionais, além de apresentações culturais e exposição de equipamentos voltados à produção citrícola.
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