O desafio da lagarta-do-cartucho na Safrinha de Milho do Paraná
*Bruna Marchesi
O Paraná consolida-se como um dos protagonistas da produção de grãos no Brasil. Para a safra 2025/26, o Estado mantém projeções robustas, sustentadas por investimentos em tecnologia e genética avançada. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), para a segunda safra de milho, que está sendo plantada e responde pelos maiores volumes produzidos no Paraná depois da soja, a produção é estimada em 17,5 milhões de toneladas, uma leve alta se comparada às projeções do início de 2026.
O órgão também elevou a projeção da primeira safra de milho do Estado em 2026/27 que deve alcançar 3,6 milhões de toneladas, acima das mais de 3 milhões de toneladas registradas na temporada passada. No entanto, a viabilidade econômica da safra de milho no Estado depende diretamente da capacidade do produtor em enfrentar um grande gargalo fitossanitário: o manejo de pragas.
O ciclo atual é marcado por uma busca incessante por estabilidade produtiva frente às oscilações térmicas e ao estresse hídrico. A safrinha no Estado exige atenção redobrada, pois o plantio fora da janela ideal ou em condições climáticas adversas pode potencializar a pressão de pragas. A ameaça número um das lavouras de milho, é a Spodoptera frugiperda, ou lagarta-do-cartucho, como é popularmente conhecida, devido ao seu alto potencial de dano à área foliar, o que reduz drasticamente a capacidade fotossintética da planta e, consequentemente, afeta a produtividade, com perdas que variam amplamente, mas que podem chegar a 40%, podendo superar 60-70% em infestações severas e sem manejo adequado, de acordo com a EMBRAPA.
A principal característica desse inseto é a adaptabilidade, podendo se multiplicar ou reproduzir em diferentes culturas e climas, com uma reprodução biológica rápida, além da alta adaptação à diferentes práticas de manejo, o que traz a necessidade do uso de diversas ferramentas de controle. Trata-se de uma praga agressiva, que ganhou expressão econômica há alguns anos nas regiões produtoras do Norte do Brasil, como MATOPIBA, e, entre elas, mais recentemente, o Mato Grosso e Goiás.
O manejo da lagarta do cartucho requer a adoção das Boas Práticas Agrícolas, integrando diversas ferramentas de controle do Manejo Integrado de Pragas, como: a escolha de sementes com tratamento industrial, podendo ter biotecnologia embarcada, como as proteínas Bt; monitoramento constante da lavoura e aplicação de inseticidas recomendados para controle dessa praga, sempre que necessário, seguindo as recomendações tanto da sacaria da semente quanto da bula do defensivo agrícola, além das orientações técnicas dos agrônomos ou representante comercial. Outras orientações são: realizar a dessecação antecipada e o controle de plantas daninhas e voluntárias, além de realizar a rotação de culturas, bem como a rotação de biotecnologias e modos de ação.
Outras práticas de manejo que visam preservar a eficácia dos métodos de controle incluem: o plantio de áreas de refúgio estruturado efetivo, que tem como objetivo manejar a evolução da resistência das lagartas, que pode acontecer naturalmente; a eliminação de daninhas ou voluntárias, que podem servir como plantas hospedeiras para as lagartas, criando a chamada “ponte verde”; o monitoramento durante todo o ciclo da cultura e a aplicação de inseticidas adequados no momento correto, seguindo as recomendações dos gatilhos de aplicação de cada tecnologia e a bula do produto utilizado; além do uso de biotecnologias de proteção contra insetos, sementes certificadas e tratadas.
Importante destacar que é imprescindível que o produtor conte com a recomendação técnica de um agrônomo ou representante comercial da empresa que adquiriu as sementes e defensivos, que lhe ajudará com orientações para o melhor manejo para controlar a lagarta-do-cartucho e obter melhores produtividades, além de apresentar as sementes, o tratamento industrial e os inseticidas com melhor eficácia para evitar a lagarta-do-cartucho na lavoura.
Para garantir a longevidade das tecnologias e a produtividade dos milharais, é preciso que cada um faça a sua parte. O sucesso da safrinha 2025/26 no Paraná não será medido apenas pelo volume colhido, mas pela eficiência com que o produtor protegeu seu potencial produtivo contra a lagarta-do-cartucho, utilizando a tecnologia como sua principal aliada na busca por sustentabilidade e lucratividade.
*Bruna Barboza Marchesi é engenheira agrônoma e mestre em Agricultura (foco em manejo de plantas daninhas e modo de ação de herbicidas) pela Universidade de São Paulo (Unesp). É especialista de Boas Práticas Agrícolas na Corteva Agriscience.
