Mesmo diante de uma safra recorde estimada em cerca de 180 milhões de toneladas, os preços da soja seguem firmes no mercado brasileiro. A sustentação vem principalmente da demanda aquecida, tanto no mercado interno quanto externo, além da valorização dos derivados da oleaginosa.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o cenário internacional também contribui para esse movimento. Os conflitos no Oriente Médio e a valorização do petróleo aumentam a competitividade dos biocombustíveis, impulsionando a demanda por óleo de soja, principal matéria-prima do biodiesel.
Colheita avança, mas com diferenças regionais
No campo, a colheita da soja já alcança 92,1% da área cultivada no Brasil, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Apesar do avanço, o ritmo ainda apresenta variações importantes entre as regiões produtoras.
No Sul, os trabalhos seguem mais lentos. Santa Catarina registra 71% da área colhida, enquanto o Rio Grande do Sul chega a 65%, ambos abaixo do desempenho observado no mesmo período do ano passado.
Já na região do Matopiba, o cenário é heterogêneo. Tocantins praticamente finalizou a colheita, com 98% da área concluída. Por outro lado, Maranhão, com 65%, e Bahia, com 90%, ainda apresentam atraso em relação à safra anterior. No Piauí, os trabalhos atingem 96%, em linha com o ritmo registrado em 2025.
Cenário internacional influencia mercado
No exterior, o andamento da safra também interfere na dinâmica dos preços. Na Argentina, chuvas pontuais nas principais regiões produtoras têm interrompido a colheita, mantendo o ritmo irregular.
Nos Estados Unidos, as condições climáticas mais favoráveis no Meio-Oeste trouxeram alívio recente, embora as chuvas tenham limitado temporariamente os trabalhos no campo. Ainda assim, a semeadura da safra 2026/27 já atinge 23% da área projetada, superando o ritmo do ano passado e a média dos últimos cinco anos.
Demanda segue como principal suporte
Combinando oferta elevada e consumo aquecido, o mercado da soja mantém um equilíbrio que sustenta os preços. A demanda por biodiesel, impulsionada pelo cenário energético global, segue como um dos principais fatores de apoio às cotações.
Nesse contexto, mesmo com a produção em níveis históricos, o produtor encontra um ambiente de comercialização mais favorável do que o esperado, reforçando a importância da demanda na formação dos preços da commodity.