A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na quarta-feira (17), de uma reunião da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística (CTLog), do Ministério da Agricultura e Pecuária, para discutir os desafios e as oportunidades relacionados ao escoamento da produção agropecuária brasileira.
Na abertura do encontro, o presidente da CTLog e da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA, Mário Borba, destacou a importância da integração entre entidades públicas e privadas para aprimorar a logística nacional e garantir maior eficiência na movimentação da safra.
Safra recorde aumenta demanda por infraestrutura
Durante a reunião, o gerente de Acompanhamento de Safras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Fabiano Vasconcellos, apresentou as estimativas para a safra 2025/26. Segundo ele, a produção brasileira de grãos deve alcançar 358,6 milhões de toneladas.
A soja segue como a principal cultura do país, com produção estimada em 180,3 milhões de toneladas. O milho aparece na sequência, com previsão de 140,5 milhões de toneladas, configurando a segunda maior safra da história do cereal no Brasil.
O volume reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura para garantir o transporte eficiente da produção até os mercados consumidores e os portos de exportação.
Hidrovias ganham espaço no debate
Outro tema abordado foi a expansão da navegação interior como alternativa para reduzir custos logísticos. O secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos, Otto Luiz Burlier, apresentou projetos voltados à melhoria da navegabilidade em importantes corredores de transporte.
Entre as iniciativas estão obras de derrocamento do Pedral do Lourenço, no Pará, além de dragagens nos rios Madeira, Amazonas, Solimões e Tapajós.
Segundo Burlier, a ampliação do uso das hidrovias exige investimentos e previsibilidade para que empresas possam planejar o transporte de cargas no médio e longo prazo.
Ele também destacou que o governo está antecipando ações diante da possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre, buscando minimizar impactos sobre a logística fluvial.
O secretário defendeu ainda uma maior participação da iniciativa privada nos projetos hidroviários, ressaltando benefícios como redução de emissões, diminuição dos custos logísticos e estímulo ao desenvolvimento regional.
Rodovias seguem como principal meio de transporte
O modal rodoviário continua sendo responsável pelo transporte da maior parte da produção agropecuária brasileira. Durante a reunião, o diretor de Infraestrutura Rodoviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Fábio Nunes, apresentou um panorama da malha federal.
Atualmente, cerca de 60% da produção agropecuária do país é escoada por rodovias. Segundo o DNIT, dos 55.934 quilômetros da malha federal, 74,7% apresentam boas condições de tráfego. Outros 14,5% são classificados como regulares, enquanto 10,8% estão em situação ruim ou péssima.
Os principais gargalos estão concentrados nos corredores logísticos do Arco Norte e da Transamazônica. A BR-230 possui 953 quilômetros em condições consideradas críticas, enquanto a BR-163 registra 156 quilômetros com problemas estruturais.
Para enfrentar esses desafios, o DNIT informou que mantém 223 obras em andamento, totalizando investimentos de R$ 29,28 bilhões.
Tecnologia para reduzir gargalos
O encontro também apresentou ferramentas voltadas ao monitoramento da logística nacional. Entre elas está o Índice de Estresse de Escoamento, capaz de antecipar a formação de filas nos corredores logísticos e auxiliar no planejamento do transporte da produção.
Na avaliação dos participantes, investimentos em infraestrutura e maior integração entre os diferentes modais de transporte serão fundamentais para acompanhar o crescimento da produção agropecuária brasileira e garantir maior eficiência no escoamento das safras.