De acordo com dados compilados e divulgados pela TF Agroeconômica, com base nos relatórios oficiais do Deral/Seab, os custos de produção do milho segunda safra registraram uma forte elevação no Paraná. Para uma produtividade média estimada em 80 sacas por hectare, o custo total para produzir o cereal atingiu a marca de R$ 78,86 por saca de 60 kg, o que representa uma alta de 9,07% na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o valor era de R$ 72,30 por saca.
Disparada dos fertilizantes e despesas operacionais
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O principal vilão no orçamento do milho safrinha foi o grupo dos fertilizantes, que saltou de R$ 516,00 para R$ 738,00 por hectare, acumulando uma disparada de 43,02% em doze meses. A elevação do adubo pesou diretamente sobre os custos variáveis totais, que subiram 13,96%, passando de R$ 3.105,59 para R$ 3.539,06 por hectare.
Outros itens da planilha de insumos e serviços no campo também apresentaram altas expressivas no período:
Operação de máquinas e implementos: alta de 14,35%, atingindo R$ 352,90/ha.
Juros e encargos financeiros: elevação de 12,91%, somando R$ 139,39/ha.
Sementes e manivas: aumento de 6,45%, alcançando R$ 1.279,43/ha.
Transporte externo e frete curto: subiu 7,89%, cotado a R$ 295,20/ha.
Por outro lado, o item agrotóxicos registrou um alívio marginal de -0,19%, fechando em R$ 241,32 por hectare. Somados os custos fixos — que incluem depreciação de maquinário, mão de obra permanente e remuneração da terra —, o custo total por hectare saltou de R$ 5.784,52 para R$ 6.308,59.
Preços no mercado físico abrem alerta de margem no campo
O avanço das despesas contrasta diretamente com os valores oferecidos pela indústria e pelas cooperativas no mercado disponível. Conforme o boletim da TF Agroeconômica, os preços pagos aos produtores paranaenses nas praças do interior oscilam entre R$ 48,00 e R$ 56,70 a saca — como em Cascavel (R$ 48,00), Maringá (R$ 50,00) e Ponta Grossa (R$ 53,04).
Essas cotações do balanço físico cobrem com folga o custo variável de produção (R$ 44,23/saca), garantindo fluxo de caixa imediato para o pagamento de dívidas operacionais de curto prazo. No entanto, os preços atuais do mercado disponível ficam substancialmente abaixo do custo operacional (R$ 56,25/saca) e do custo total (R$ 78,86/saca).
A diferença evidencia que qualquer venda realizada abaixo dessas balizas sem proteção de preços ou sem o uso de contratos futuros na B3 pode resultar em prejuízo real no fechamento do ciclo financeiro da propriedade agrícola.
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