De acordo com boletim de mercado divulgado pela Granoeste Corretora, os preços da soja voltaram ao campo negativo e registram recuo na Bolsa de Chicago. O contrato com vencimento em setembro opera com queda de 13 pontos, cotado a US$ 11,91 por bushel, fazendo com que o patamar teto de US$ 12,00 por bushel perdesse força no mercado futuro. O movimento de realização de lucros ocorre após a sessão anterior ter encerrado com ganhos entre 3 e 6 centavos de dólar nos primeiros vencimentos.
A pressão altista do exterior foi atenuada pelas melhores perspectivas de precipitação e clima favorável para o desenvolvimento das lavouras no Meio-Oeste dos Estados Unidos, sinalizando que a oferta norte-americana seguirá em bom nível. Paralelamente, a sinalização do governo chinês em realizar leilões de estoques oficiais — na casa de 500 mil toneladas — trouxe maior tranquilidade e margem operacional para as indústrias processadoras do país asiático.
Safra de soja deve atingir 180,5 mi t com recorde de esmagamento no País
Soja recua na Bolsa de Chicago, mas fatores de alta sustentam mercado no Brasil
Mercado interno fortalecido e retenção no campo brasileiro
No cenário nacional, conforme destaca a Granoeste Corretora, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) estima as exportações brasileiras de soja em mais de 115,0 milhões de toneladas. A maior presença do produto do Brasil aumenta a oferta no comércio global, mas encontra suporte no aquecimento da demanda interna. O esmagamento doméstico foi projetado em 63,3 milhões de toneladas, avanço significativo em relação às 58,5 milhões de toneladas registradas no ano anterior. Já a produção de subprodutos é estimada em 48,7 milhões de toneladas de farelo e 12,75 milhões de toneladas de óleo de soja.
Diante desse balanço, o mercado físico brasileiro permanece bastante procurado pelas tradings e indústrias, porém com ofertas restritas na ponta vendedora. Os produtores rurais mantêm-se convictos de que haverá preços mais atrativos à frente e sustentam uma postura defensiva no spot.
A retração dos agricultores baseia-se em três fatores estratégicos: o avanço da safra norte-americana em sua fase crítica de desenvolvimento, mantendo aberta a janela para acréscimo de prêmios de risco climático; o risco de atraso na regularização das chuvas na abertura do plantio, sobretudo no Centro-Oeste, sob influência do fenômeno El Niño; e a aproximação da entressafra nacional, período que naturalmente reduz a disponibilidade de lotes em regiões estratégicas do País.
Prêmios de exportação e cotações regionais
Nos portos brasileiros, os prêmios de exportação seguem indicados no spot entre 130 e 145 pontos. Para os embarques programados em setembro, as posições orbitam entre 140 e 160 pontos, enquanto para outubro a faixa varia entre 135 e 155 pontos.
Nas praças de comercialização do Sul, as indicações de compra na região oeste do Paraná rodam entre R$ 137,00 e R$ 140,00 por saca. Já no Porto de Paranaguá, as ofertas de compra situam-se no intervalo de R$ 148,00 a R$ 151,00 por saca, oscilando de acordo com a liquidez do prazo de pagamento (curto ou diferido), além da localização do lote e do período de embarque no interior.
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