Preço do frete agrícola continua alto com safra recorde

Mesmo com o fim da colheita de verão, forte volume de soja retém o custo do transporte rodoviário perto dos picos registrados entre fevereiro e março
Preço do frete agrícola continua alto com safra recorde
Custos do óleo diesel S-10 e forte demanda nos portos do Arco Norte e de Santos mantêm a pressão sobre as tabelas de transporte.
Foto do autor Cássia Lombardi
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A perspectiva de consolidar uma colheita histórica de grãos tem sustentado os preços do transporte rodoviário de produtos agrícolas em patamares elevados nas principais rotas de escoamento do país. De acordo com a edição de junho do Boletim Logístico, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o mercado de fretes manteve o quadro de aquecimento, contrariando a tendência sazonal de queda que costuma ocorrer logo após o encerramento do pico da colheita das culturas de primeira safra, como a soja.

Especialistas da Conab explicam que o comportamento atual foge à regra. O natural para o período seria um recuo nos preços devido ao intervalo entre o fim do escoamento da safra de verão e a intensificação dos trabalhos da segunda safra (safrinha). Contudo, o volume expressivo de soja — que registrou um incremento de 8,8 milhões de toneladas sobre o ciclo anterior — manteve as cotações do transporte próximas aos picos nominais registrados entre os meses de fevereiro e março.



Comportamento regionalizado e impacto do diesel

O comportamento das tabelas de frete apresentou variações pontuais e dinâmicas distintas entre as principais regiões produtoras:

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul: As cotações operaram perto da estabilidade em relação ao mês anterior, mas fixadas em patamares elevados. A forte demanda externa e o fluxo contínuo de exportação seguraram os preços no Centro-Oeste.

Paraná e Distrito Federal: Registraram altas moderadas. No território paranaense, a pressão logística foi intensificada pela alta no preço do óleo diesel S-10, comercializado a uma média de R$ 6,38 por litro nas bombas.

Maranhão: O frete subiu cerca de 1,20% no comparativo mensal, impulsionado pelo avanço da colheita da soja (92% da área) e do milho (27%), que pressionou o escoamento multimodal em direção ao Porto do Itaqui.

Em contrapartida, estados como Goiás, Bahia e Piauí registraram arrefecimento temporal na movimentação, motivado pela entressafra local ou pela retração momentânea nos volumes de embarques internacionais. São Paulo também apontou recuos, influenciado pela combinação de uma leve redução nos custos do combustível com a desaceleração da demanda industrial na ponta.

Escoamento nos portos e importação de insumos

Os dados compilados pela Conab, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), confirmam o protagonismo das exportações. Os embarques de milho acumulados até maio somaram 7,5 milhões de toneladas (frente a 6,1 milhões em igual período do ano passado). Desse total, os portos do Arco Norte lideraram a movimentação com 33,5% do volume, seguidos por Santos (26,5%), Rio Grande (19,5%) e Paranaguá (9,6%).

Na cadeia da soja, os embarques somaram 55,1 milhões de toneladas até o quinto mês do ano. A região do Arco Norte também respondeu pela maior fatia do escoamento da oleaginosa (38,5%), com o Porto de Santos posicionando-se logo atrás (36,8%) e Paranaguá retendo 14,2% das movimentações.

Pelo lado dos insumos, as internalizações de fertilizantes registraram o menor patamar para o período desde 2022. O recuo é reflexo dos custos elevados do produto no exterior, das tensões geopolíticas no Oriente Médio e do impacto logístico gerado pelo fenômeno climático El Niño. No acumulado de janeiro a maio, o Brasil importou 15,05 milhões de toneladas de adubos, ligeiramente abaixo das 15,27 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo do ano anterior.

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