O bolso do produtor rural brasileiro continua pagando a conta da falta de trilhos e da dependência do asfalto. O Brasil queima, em média, R$ 106 por segundo devido a ineficiências logísticas. O dado alarmante consta no levantamento do Observatório do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), que projeta um prejuízo acumulado de R$ 3,3 bilhões apenas em 2026.
Esse sobrecusto é gerado pelo uso forçado do modal rodoviário em corredores onde a produção agrícola já deveria escoar por ferrovias, como nos eixos das aguardadas Ferrogrão e EF-118. Para tentar estancar esse ralo financeiro, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos (FPPA) lançaram uma ofensiva conjunta.
Em ato na sede da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), em Curitiba, lideranças políticas assinaram a Carta de Compromissos do Movimento AgroPorto. O documento estabelece 10 diretrizes estratégicas para transformar a logística nacional em uma política de Estado permanente, imune a trocas de governo.
O abismo dos investimentos
O nó do problema está no orçamento. Atualmente, o Brasil investe cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura. O índice não chega à metade dos 4,5% do PIB apontados por especialistas como o mínimo necessário para modernizar os canais de escoamento e dar competitividade frente a concorrentes como os Estados Unidos.
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Na prática, a falta de capacidade de armazenagem e os acessos portuários estrangulados reduzem a margem de lucro de quem produz. A proposta do Movimento AgroPorto é usar o peso político das frentes parlamentares para destravar concessões, garantir segurança jurídica a investidores privados e acelerar processos de licenciamento ambiental.
Plano de ação até as eleições de 2026
O movimento traçou um cronograma agressivo dividido em quatro frentes de atuação prioritárias para os próximos meses:
Agenda Brasil para a Infraestrutura: Criação de metas de longo prazo para elevar a produtividade e a integração dos modais.
Ampliação da Coalizão: Atração de novas frentes parlamentares e setores produtivos para encorpar o bloco de pressão no Congresso.
Cobrança dos Presidenciáveis: O documento com as demandas do setor será entregue e cobrado formalmente de todos os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026.
Soluções Técnicas: Rodadas de negociação com especialistas e agências reguladoras para desenhar projetos que saiam do papel rapidamente.
"O desafio agora é assegurar que a infraestrutura acompanhe o crescimento da produção e permita ao país transformar potencial em competitividade duradoura", alertou o deputado federal Tião Medeiros (PP-PR), coordenador da iniciativa.
