Preço do leite ao produtor atinge estabilidade em maio

Com a "Média Brasil" cotada a R$ 2,6617 por litro, setor registra a primeira queda nos custos de produção em 2026, mas importações seguem em alta
Preço do leite ao produtor atinge estabilidade em maio
Custos operacionais efetivos da pecuária de leite recuam 1,39% em maio, dando alívio parcial após meses de alta na nutrição.
Foto do autor Cássia Lombardi
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O preço do leite pago ao produtor interrompeu a sequência de valorizações e apresentou estabilidade no cenário nacional. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a "Média Brasil" líquida fechou o mês de maio cotada a R$ 2,6617 por livro. O valor representa uma oscilação negativa de 0,45% na comparação com o mês anterior e de 3,8% em termos reais frente a igual período do ano passado.

O mercado se comportou de maneira regionalizada e desigual entre as principais bacias do país:



Sudeste e Centro-Oeste: Os preços mantiveram a trajetória de alta. A produção local segue limitada pela entressafra e pelo menor potencial produtivo das fazendas — reflexo direto do desinvestimento feito por produtores após as margens apertadas do ano passado. A baixa oferta acirrou a disputa entre os laticínios pela matéria-prima.

Região Sul: Na contramão, registrou queda nas cotações. O clima favorável e o excelente desenvolvimento das pastagens de inverno aceleraram a recuperação do volume captado, pressionando as tabelas.

O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) do Cepea apontou estabilidade de abril para maio (+0,07%), embora o acumulado do primeiro semestre do ano ainda carregue uma retração firme de 13,7%.

Custos operacionais dão o primeiro alívio do ano

Pelo lado dos insumos, os pecuaristas encontraram um fôlego momentâneo. O Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade registrou em maio a primeira queda do ano, recuando 1,39%. Apesar do alívio mensal, o custo acumula alta de 1,80% neste ano, puxado pelas despesas elevadas com nutrição animal, manejos sanitários e operações de máquinas.

No elo industrial, o levantamento realizado pelo Cepea com o suporte da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) indicou desvalorização nos derivados. O leite UHT caiu 7,56% no atacado, enquanto a muçarela (+0,12%) e o leite em pó (+0,13%) andaram de lado. O monitoramento prévio indica que a pressão de baixa nos derivados se intensificou na primeira quinzena de junho.

Balança comercial e importações no radar

O mercado brasileiro continuou operando sob forte presença do produto estrangeiro. As importações de lácteos subiram 3,58% em maio, totalizando 226,21 milhões de litros equivalente-leite — um salto de 28% na comparação anual.

As exportações do agro brasileiro também cresceram no mês (+45,33%), somando 5,81 milhão de litros, mas o volume embarcado para o exterior segue tímido e é 21,42% menor do que o registrado no mesmo mês do ano anterior. Para as próximas semanas, o mercado projeta a manutenção do cenário dividido: o Sul deve seguir pressionado pela oferta, enquanto o Sudeste e Centro-Oeste buscam estabilização no topo.

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