Preços do milho tentam recuperação em Chicago antes de dados do USDA

Cotações futuras indicam leve reação técnica nos EUA, enquanto o avanço da colheita interna força paridade de exportação nos portos brasileiros
Preços do milho tentam recuperação em Chicago antes de dados do USDA
Intensificação dos trabalhos de colheita no campo eleva a oferta física interna e baliza as ofertas de compra das tradings.
Foto do autor Camilo Motter
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O mercado internacional de milho atinge o intervalo das operações matutinas registrando uma leve recuperação técnica na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). De acordo com o informativo diário da Granoeste Corretora, o contrato com vencimento em julho opera com valorização de dois pontos, cotado a US$ 4,04 por bushel. O movimento tenta estancar as perdas acentuadas da sessão anterior, que superaram os 10 pontos de desvalorização. O viés de baixa global do cereal permanece sustentado pelo recuo generalizado nas cotações internacionais do petróleo e pelo desenvolvimento favorável da safra de verão no Hemisfério Norte.

Os fundos de investimento e grandes players globais operam em compasso de espera, ajustando posições antes da divulgação de dois relatórios de alta relevância pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA): o levantamento final de área semeada e a contabilidade de estoques físicos ao término do terceiro trimestre. O boletim da Granoeste Corretora aponta que a projeção média do mercado para a área de milho nos EUA é de 38,42 milhões de hectares (MH), ligeiramente abaixo dos 38,58 MH estimados em março e 4% inferior aos 39,98 MH cultivados em 2025. Já os estoques em 1º de junho são estimados em 136,9 milhões de toneladas (MT), o que representa um salto expressivo de 16% na comparação anual.



Condições no Corn Belt e o andamento da safrinha na B3

No cenário agronômico norte-americano, o USDA reportou que 67% das lavouras de milho encontram-se em condições boas ou excelentes, registrando recuo de um ponto percentual na semana. O restante divide-se em 25% em situação regular e 8% ruins ou péssimas. Em termos de ciclo fenológico, 9% das plantas entraram em fase de floração, superando os 7% do ano passado e os 6% da média histórica. Na bolsa brasileira (B3), os contratos futuros operam com estabilidade: a posição julho trabalha cotada a R$ 64,55 (frente ao fechamento anterior de R$ 64,61) e o vencimento setembro roda a R$ 67,90 (contra R$ 67,63 da sessão prévia).

Pressão de oferta interna e necessidade de paridade de exportação

No ambiente físico brasileiro, a colheita do milho safrinha avança de forma consistente. Dados consolidados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que os trabalhos de campo atingiram 18,8% da área estimada no país, superando os 17% registrados no mesmo período do ano passado, mas ainda abaixo dos 24,6% da média dos últimos cinco anos. A entrada progressiva desse volume físico no mercado exerce pressão negativa sobre os preços domésticos no balcão.

Os analistas reforçam o fundamento de que, para escoar o excedente produtivo e atingir a meta de exportação projetada em mais de 40 milhões de toneladas para esta temporada, os preços nas regiões de maior adensamento de oferta precisam se alinhar à paridade internacional. No oeste do Paraná, as indicações nominais de compra ao produtor situam-se na faixa de R$ 55,00 a R$ 58,00 por saca. No porto de Paranaguá, as ofertas operam no intervalo de R$ 63,00 a R$ 66,00 por saca, a depender das condições de prazo de pagamento e localização do lote. O ambiente comercial recebe suporte macroeconômico do câmbio, com o dólar comercial operando em leve alta, cotado a R$ 5,18.

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